O caso do "áudio fake do VAR" usado pela defesa do Internacional no julgamento do zagueiro Victor Gabriel ganhou novo capítulo nesta quarta-feira (29). A página de paródias "O VAR Brasileiro", autora da gravação apresentada como se fosse registro oficial da arbitragem no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), publicou um vídeo ironizando o episódio, enquanto o clube gaúcho e seu escritório de advocacia admitiram, em nota, que houve "falha" no uso do conteúdo. As informações são da Rádio Itatiaia.
O áudio que virou prova
Na sessão de terça-feira (28), que condenou Victor Gabriel pela entrada que fraturou a tíbia do atacante Gabriel Pec, do Cruzeiro, a defesa do Inter apresentou um áudio atribuído ao VAR da partida do dia 22 de julho, no Beira-Rio. A auditora Aline Jatahy questionou a origem da gravação, e o advogado do clube, Rogério Pastl, não conseguiu comprovar a veracidade.
"Obviamente que a gente junta como sendo verídico. A gente teria que checar a fonte. Já que o voto será definitivo, peço para que não considere essa prova neste momento", disse o advogado durante o julgamento, segundo o Itatiaia e a CNN Brasil.
Os auditores chegaram a cogitar o adiamento da sessão por 24 horas, mas a prova acabou apenas desconsiderada. O STJD enviará um ofício à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para verificar a autenticidade do material, apurou o Itatiaia. No lance real, segundo a emissora, o árbitro Flavio Rodrigues de Souza sequer consultou o VAR antes de expulsar o zagueiro.
O áudio era criação da página "O VAR Brasileiro", que tem mais de 100 mil seguidores, se identifica como "Conta de Paródia" e produz diálogos fictícios simulando a comunicação da arbitragem. Nesta quarta, seus criadores publicaram um vídeo de "pronunciamento oficial": "A gente vem aqui lamentar pelo ocorrido, por prejudicar um grande clube como o Internacional e dizer que...", afirmam, antes de cair na risada.
O que diz o Inter
Em nota conjunta, o Internacional e o escritório Cravo, Pastl e Balbuena reconheceram "uma falha na captação e utilização do conteúdo apresentado na defesa do jogador", assumida, segundo o texto, "mediante pedido expresso de retirada do áudio dos autos". Clube e escritório negam má-fé e afirmam compromisso "com a ética, a transparência e o respeito às instituições que regem o futebol brasileiro".
A punição a Victor Gabriel
Também na terça, a Sexta Comissão Disciplinar do STJD puniu Victor Gabriel com suspensão de seis partidas, estendida até que Gabriel Pec esteja apto a voltar aos treinos, no limite de 180 dias, com base no artigo 254, parágrafo 3º, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. A decisão foi por maioria e cabe recurso ao Pleno.
O relator, Rodrigo Bayer, votou por aplicar apenas os seis jogos, por entender que não houve intenção nem risco assumido deliberadamente. Prevaleceu a divergência aberta pelo auditor Eduardo Xible, acompanhada por Aline Jatahy e pelo presidente Jorge Lavocat Galvão, para quem a pena fixa permitiria o retorno do zagueiro "em período relativamente curto" enquanto a vítima segue meses sem treinar.
Emocionado, Victor Gabriel afirmou no julgamento que não teve intenção de machucar o adversário. "Como o campo estava bastante liso e molhado, acaba que eu acerto a bola e não tive tempo de recolher a perna", declarou, segundo a nota oficial do tribunal. O jogador disse ainda ter tido "noites em claro" desde o lance.
Relembre o caso
A entrada ocorreu aos 15 minutos do segundo tempo de Internacional x Cruzeiro, pelo Brasileirão, conforme a súmula. Expulso com vermelho direto, Victor Gabriel atingiu a canela esquerda de Pec, que deixou o campo de maca, teve fratura na tíbia constatada em exames e passou por cirurgia. Contratado por cerca de US$ 12 milhões (R$ 61 milhões, segundo o Itatiaia) após três anos na MLS, o atacante se lesionou justamente em sua estreia oficial pelo Cruzeiro, que venceu a partida em Porto Alegre.