A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o primeiro medicamento genérico à base de semaglutida do Brasil, princípio ativo das chamadas "canetas emagrecedoras". O registro foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) e abre caminho para versões mais baratas do tratamento nas farmácias do país.
Segundo a Agência Brasil, a agência reguladora liberou dois novos injetáveis de semaglutida obtida por via sintética. Um deles é o genérico produzido pela farmacêutica EMS. O outro é um medicamento similar do laboratório Germed, ligado à EMS, que será vendido com o nome comercial Semaclique.
O que muda com o genérico
A EMS já havia obtido, em maio, o primeiro registro de semaglutida sintética do país, com o Ozivy. Agora, a mesma empresa foi autorizada a comercializar a versão genérica desse produto. Por se tratar de um genérico, a nova caneta não pode ter nome comercial: é identificada apenas pelo nome do princípio ativo.
A diferença pesa no bolso. Pela legislação brasileira, o preço de um genérico aprovado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) precisa ser pelo menos 35% menor que o do medicamento de referência. O valor de prateleira, no entanto, só será conhecido quando a CMED publicar o preço e as redes de farmácia definirem suas margens.
Para efeito de comparação: o Ozivy chegou às farmácias em junho a partir de R$ 452 por caneta, de acordo com o InfoMoney.
Para que serve a semaglutida
A semaglutida ficou conhecida por ser o princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, indicados para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2. Médicos também prescrevem a substância para o controle da obesidade.
O registro da Anvisa reconhece o uso dos medicamentos associado à dieta e à prática de exercícios físicos. As canetas são de aplicação semanal e precisam ser mantidas na geladeira, em temperatura de 2 °C a 8 °C, antes e depois do início do tratamento.
A agência reforçou a necessidade de acompanhamento médico. "Como todos os medicamentos do tipo GLP-1, a semaglutida sintética está sujeita à prescrição de receita médica em duas vias", informou a Anvisa, conforme a Agência Brasil.
As apresentações aprovadas
Foram registradas quatro apresentações, todas em solução injetável de semaglutida 1,34 mg/mL, em sistema de aplicação preenchido, multidose e descartável:
- 1,5 ml, com 1 caneta e 4 agulhas;
- 1,5 ml, com 1 caneta e 6 agulhas;
- 3 ml, com 2 canetas e 8 agulhas;
- 3 ml, com 2 canetas e 10 agulhas.
Mercado aquecido
A aprovação amplia a concorrência em um dos segmentos que mais crescem no setor farmacêutico brasileiro. A entrada de genéricos e similares tende a pressionar os preços para baixo, mas a venda segue restrita: por ser um medicamento da classe GLP-1, a semaglutida sintética só pode ser adquirida mediante apresentação de receita médica em duas vias.
Em julho, a Anvisa já havia registrado outras cinco canetas de semaglutida voltadas ao tratamento do diabetes, segundo a Agência Brasil — sinal de que a disputa por esse mercado deve seguir aquecida nos próximos meses.