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Infantino rebate críticas à Copa em carta: "Consumidos pelo ódio"

Presidente da Fifa acusa detratores do Mundial de espalharem "ódio e boatos falsos", diz que torneio teve "100% de segurança" e defende decisões contestadas; texto sai em meio à articulação da Uefa por rival na eleição de 2027

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Infantino rebate críticas à Copa em carta: "Consumidos pelo ódio"
Mark mc neill/Unsplash — imagem ilustrativa

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, publicou nesta segunda-feira (27) uma carta aberta em que rebate as críticas feitas à Copa do Mundo de 2026, encerrada na semana passada com o título da Espanha. No texto, o dirigente acusa os detratores do torneio de espalharem "ódio e boatos falsos" e defende o Mundial disputado nos Estados Unidos, no Canadá e no México como um sucesso marcado por união, segurança e inclusão, segundo reportagem da agência Reuters publicada pela CNN Brasil.

"Para aqueles que estão atrás de suas canetas e papéis, atrás de suas telas, espalhando ódio e boatos falsos, quero dizer que, enquanto vocês estão aí sentados, nós da Fifa estamos na linha de frente organizando, trabalhando duro e oferecendo o melhor espetáculo do mundo", escreveu Infantino, em trecho reproduzido pelo Lance!.

O que diz a carta

Ao longo de mais de 20 parágrafos, o dirigente de 56 anos sustenta que a Copa terminou sem registros de violência — "não vivenciamos violência, nenhum incidente, 100% de segurança" — e afirma que 7 milhões de pessoas de mais de 200 países acompanharam os jogos nas 16 cidades-sede. Em tom de ironia, ele "pede desculpas" aos críticos por terem sido "consumidos pelo ódio" a ponto de "perderem toda essa alegria e união". Em nenhum momento, aponta o Lance!, o texto cita nominalmente quem seriam os alvos.

O presidente da Fifa também respondeu às queixas sobre a política de vistos dos Estados Unidos durante o torneio. "O Irã entrou nos Estados Unidos sem incidentes ou conflitos. A seleção recebeu vistos porque o futebol é sobre paz. Não é sobre política", afirmou. Ele citou ainda a participação do Haiti, país em crise interna, como exemplo do que chamou de poder de união do futebol.

As polêmicas na mira

Durante a competição, a Fifa foi criticada por restrições de vistos que afetaram torcedores e integrantes de delegações — caso do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, barrado na entrada dos EUA mesmo com visto válido, lembra a CNN Brasil. Também houve questionamentos sobre o caso Folarin Balogun: a entidade suspendeu a punição automática de um jogo ao atacante americano, expulso na partida contra a Bósnia, decisão tomada após intervenção do presidente dos EUA, Donald Trump. A arbitragem da vitória da Argentina sobre o Egito nas oitavas de final também gerou reclamações, sobretudo do técnico egípcio Hossam Hassan, segundo o Terra.

Sem citar os episódios diretamente, Infantino argumentou que "cartões vermelhos ou amarelos potencialmente equivocados, ou decisões subsequentes de não suspender jogadores em certas situações, são rotineiros e amplamente aceitos em algumas das maiores ligas do mundo". E completou: "É curioso que os mesmos países que adotam essas práticas sejam os que as criticam".

Eleição de 2027 no horizonte

A carta é divulgada em meio a uma onda de críticas vinda especialmente de países ligados à Uefa, que se movimentam para viabilizar uma candidatura de oposição a Infantino, no comando da Fifa há dez anos, apurou o Lance!. A eleição da entidade está marcada para março de 2027, com inscrições de candidaturas até novembro deste ano. Na semana passada, como o Apuramos mostrou, o caso Balogun chegou a ser levado ao COI, que se declarou sem alçada sobre o dirigente — devolvendo a discussão para dentro da própria Fifa.

Não é a primeira reação do tipo: antes da Copa de 2022, no Catar, Infantino fez discurso polêmico em que disse se sentir "catari", "árabe", "africano", "gay", "deficiente" e "trabalhador migrante", relembra o Terra. A carta desta segunda encerra com um apelo: "Que o futebol se eleve acima de todo o ódio".

Fontes consultadas nesta apuração

  • gianni infantino
  • fifa
  • copa do mundo 2026
  • carta aberta
  • caso balogun
  • uefa

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