A polêmica em torno da anulação da suspensão do atacante americano Folarin Balogun na Copa do Mundo de 2026 ganhou dois novos capítulos nesta semana — e eles apontam em direções opostas. De um lado, o Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu que não vai investigar o presidente da Fifa, Gianni Infantino. De outro, a Federação Norueguesa de Futebol (NFF) anunciou que levará o caso ao Comitê de Ética da própria Fifa.
Relembre o caso
Balogun foi expulso na fase de 32 da Copa, contra a Bósnia e Herzegovina, pelo árbitro brasileiro Raphael Claus, após revisão no VAR. Segundo a agência de notícias AFP, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu pessoalmente a Infantino que revisasse o cartão vermelho, que classificou de "injustificado" — e chegou a acusar o árbitro de ter um passado "muito suspeito".
Na sequência, o Comitê Disciplinar da Fifa converteu a suspensão automática do jogador em "suspensão condicional, acompanhada por um período probatório de um ano", liberando o atacante para as oitavas de final. Em campo, a decisão não mudou o destino dos americanos: com Balogun titular, os Estados Unidos foram goleados por 4 a 1 pela Bélgica e eliminados do Mundial.
O que decidiu o COI
A denúncia contra Infantino foi apresentada ao COI pela FairSquare, organização de direitos humanos, apontando a proximidade do dirigente com Trump. De acordo com os jornais Infobae e Fox News, a comissão de ética do Comitê Olímpico concluiu que a queixa trata de decisões e de governança internas da Fifa — que, pela Carta Olímpica, é autônoma — e que o caso, portanto, "está fora da jurisdição" do órgão.
A recusa, porém, veio com um recado: o COI pediu que a própria Comissão de Ética da Fifa examine o papel de Infantino na criação do "Prêmio da Paz" da entidade e na sua entrega a Trump, ocorrida durante o sorteio da Copa de 2026.
A ofensiva da Noruega
Enquanto o COI se esquivava, a presidente da federação norueguesa, Lise Klaveness, confirmou que a NFF fará uma denúncia formal ao Comitê de Ética da Fifa pela revogação da punição de Balogun. "Quando se burla uma regra como esta, entramos em um caminho perigoso para todo o futebol", disse ela ao jornal britânico The Times, em declarações reproduzidas pela AFP.
Para Klaveness, a decisão "foi influenciada por forças externas" e "não seguiu o procedimento adequado". A dirigente — que já havia sido a única a protestar formalmente quando a Fifa premiou Trump, em dezembro — disse ainda estar "decepcionada, mas não exatamente surpresa" com a falta de transparência da entidade, que não publicou a fundamentação completa da decisão. E foi direta: "Precisamos que o presidente da Fifa reconheça que foi um erro".
O outro lado
Infantino nega interferência: segundo a AFP, o dirigente afirma ter respondido a Trump que os órgãos disciplinares da Fifa são "independentes". Até a publicação desta matéria, a entidade não havia detalhado publicamente os fundamentos completos da decisão que beneficiou Balogun.
Cabe agora ao Comitê de Ética da Fifa decidir se abre apuração formal — tanto sobre a queixa norueguesa quanto sobre o pedido encaminhado pelo COI a respeito do prêmio entregue ao presidente americano.