Dívida bruta chega a 82,9% do PIB; contas têm déficit de R$ 10 bi
Dados do Banco Central mostram que o setor público teve rombo menor que em agosto de 2025, mas o gasto com juros disparou e a dívida segue em alta.
Redação Apuramos
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Dados do Banco Central mostram que o setor público teve rombo menor que em agosto de 2025, mas o gasto com juros disparou e a dívida segue em alta.
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A dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do PIB em agosto, o equivalente a R$ 11,1 trilhões, segundo dados do Banco Central divulgados na quarta-feira (30/09). No mesmo mês, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 10 bilhões.
Os números foram detalhados pelo Poder360 e pelo Metrópoles e entram no radar do mercado a poucos dias do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4/10).
Déficit menor que o de um ano antes
De acordo com o Poder360, o resultado primário de agosto de 2026 (R$ 10 bilhões negativos) é menor que o de agosto de 2025, quando o déficit foi de R$ 17,3 bilhões.
Na composição do resultado, o Governo Central (Tesouro, Previdência e Banco Central) ficou no vermelho em R$ 14,7 bilhões. Os governos regionais tiveram superávit de R$ 2,7 bilhões, e as empresas estatais, superávit de R$ 2 bilhões.
No acumulado em 12 meses, o déficit primário do setor público consolidado soma R$ 82,1 bilhões, ou 0,62% do PIB, conforme o Poder360.
Juros pesam mais
O gasto com juros nominais foi o destaque negativo. Segundo o Poder360, o setor público pagou R$ 105,9 bilhões em juros em agosto, contra R$ 74,3 bilhões no mesmo mês de 2025.
Em 12 meses, a conta chega a R$ 1,182 trilhão, o equivalente a 8,86% do PIB. Um ano antes, o valor acumulado era de R$ 946,5 bilhões (7,61% do PIB).
O que empurrou a dívida para cima
A dívida bruta passou de 82,5% do PIB em julho para 82,9% em agosto, de acordo com o Poder360. A publicação aponta como fatores a apropriação de juros nominais (alta de 0,8 ponto percentual do PIB) e a desvalorização cambial (0,1 ponto), parcialmente compensadas pelo efeito do crescimento do PIB nominal (queda de 0,5 ponto).
Já a dívida líquida do setor público ficou em 69,3% do PIB, ou R$ 9,2 trilhões, segundo o Metrópoles.
Contexto histórico
O Metrópoles lembra que a série histórica da dívida bruta, que adota a metodologia atual desde 2008, teve seu pico em outubro de 2020, com 87,7% do PIB, durante a pandemia. O nível de agosto de 2026 é o 11º mais alto da série, segundo o jornal.
Reflexo no mercado
Segundo o Rio Times, os dados fiscais foram divulgados em meio ao rali da Bolsa na quarta-feira (30/09), quando o Ibovespa fechou em alta de 1,37%, aos 186.340 pontos, e o dólar recuou para R$ 5,17, impulsionado pela inflação americana mais branda que o esperado.
O Rio Times também registra que a próxima reunião do Copom está marcada para 4 de novembro e que a taxa Selic está em 13,75%.
O que observar
Nesta sexta-feira (2/10), estão previstos o relatório de empregos dos Estados Unidos, a produção industrial brasileira e o IPC-Fipe, segundo o Rio Times. Os números fiscais seguem como um dos principais pontos de atenção para investidores diante do cenário eleitoral.
Bolsa encerra setembro com ganho de mais de 5%, o melhor mês desde janeiro, embalada por dados de inflação dos EUA abaixo do esperado e pela força dos bancos.
Inflação dos EUA abaixo do esperado e PIB americano revisado para cima animam o mercado na manhã desta quarta-feira.
Bolsa interrompe sequência de quatro quedas e fecha em 183,8 mil pontos, com mercado de trabalho no foco. Dólar recua após forte alta de segunda-feira.