Fifa denuncia "esforço coordenado" para derrubar Infantino
Entidade rebate críticas após o colapso do plano de US$ 4,2 bilhões e reportagem do Telegraph sobre pagamentos na Uefa; presidente nega irregularidades
Redação Apuramos
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Entidade rebate críticas após o colapso do plano de US$ 4,2 bilhões e reportagem do Telegraph sobre pagamentos na Uefa; presidente nega irregularidades
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A Fifa saiu publicamente em defesa de seu presidente, Gianni Infantino, e afirmou que há um "esforço concertado e contínuo" de parte do futebol mundial para minar a entidade e seu comando. O comunicado foi divulgado no sábado (8) e repercutiu ao longo deste domingo (9) em agências e jornais de vários países — é a reação mais dura da Fifa desde o colapso do projeto que pretendia vender a investidores privados uma fatia dos direitos comerciais da Copa do Mundo.
No texto, atribuído a um porta-voz e reproduzido na íntegra pelo Estadão, a entidade avisa que não vai aceitar manobras fora do estatuto para trocar seu dirigente. "A Fifa não apoiará, facilitará ou tolerará qualquer processo relacionado à eleição do presidente da Fifa que seja inconsistente com os estatutos da Fifa, procedimentos democráticos e o quadro de governança estabelecido. O presidente da Fifa foi eleito democraticamente pelas Associações Membro e continua a servir com o seu mandato", diz o comunicado.
O recado mais direto é dirigido aos críticos: "Aqueles que não contam com o apoio das Associações Membro da Fifa não devem procurar alcançar por meio de alegações, insinuações ou desinformação o que não podem conseguir através dos processos democráticos estabelecidos da Fifa". A entidade não citou nomes nem especificou a quais acusações se referia, conforme apurou a agência Reuters, em despacho publicado pela Agência Brasil.
A pressão começou depois que Infantino apresentou a Fifa Forward Enterprise (FFE), subsidiária que concentraria os direitos comerciais dos principais torneios da entidade, incluindo a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes. A ideia era vender cerca de 20% dessa empresa a investidores externos, com arrecadação estimada em até US$ 4,2 bilhões, segundo o Metrópoles.
As conversões para reais divergem entre os veículos por causa da variação do câmbio: a Agência Brasil fala em R$ 24,8 bilhões; o Metrópoles, em R$ 22,8 bilhões.
O projeto foi abandonado em poucos dias diante da resistência de federações nacionais e confederações continentais. Segundo o Metrópoles, as federações da Inglaterra e do País de Gales retiraram o apoio à reeleição de Infantino, integrantes da Concacaf discutiram fazer o mesmo em reunião emergencial revelada pelo Guardian, e o presidente da Federação de Futebol da Jordânia, Ali Bin Al Hussein, acusou a Fifa de chantagem — afirmando ter ouvido que "haveria um grande caminho" para o país caso apoiasse o dirigente.
Do outro lado, a Conmebol e a Confederação Africana de Futebol (CAF) divulgaram manifestações de apoio ao suíço-italiano, citadas pela própria Fifa no comunicado de sábado.
Em paralelo, o jornal britânico The Telegraph publicou acusações sobre o período em que Infantino foi secretário-geral da Uefa, entre 2009 e 2016. Segundo o relato reproduzido pela Europa Press e pela AFP, ele teria usado o cargo para garantir a promoção de uma funcionária com quem mantinha uma relação íntima. O jornal, que não cita fontes, afirma que essa funcionária recebeu uma indenização "de seis dígitos" ao deixar a entidade, além do pagamento de um curso de pós-graduação em uma escola de negócios, no valor aproximado de US$ 57,8 mil por ano.
A Uefa confirmou que "foi efetuado um pagamento" acompanhado da quitação das despesas do curso, mas afirmou que o valor estava "conforme as normas então vigentes para o pessoal que deixava a organização".
Infantino nega. Um porta-voz da Fifa afirmou que ele refuta "firmemente estas acusações, categoricamente falsas", e acrescentou: "Toda insinuação de conduta inapropriada ou de violação de estatutos ou regulamentos é difamatória e nenhum empregado da Uefa nem da Fifa jamais apresentou queixa sobre o comportamento do senhor Infantino".
O ex-jogador Luis Figo, ídolo do Real Madrid e do futebol português, pediu a saída imediata do dirigente em artigo publicado na quarta-feira (5) pelo Daily Mail. "Eu poderia escrever 10 mil palavras sobre os problemas da Fifa. Mas a solução tem apenas três: Infantino precisa sair", escreveu.
Infantino comanda a Fifa desde 2016. A entidade reúne 211 associações filiadas, que são justamente o eleitorado que decide o cargo — e é para elas que o comunicado de sábado aponta como único caminho legítimo para qualquer mudança.
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