O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, Ali Abdollahi, afirmou que o país responderá de forma "esmagadora, punitiva e devastadora" a novas ameaças dos Estados Unidos. A declaração, divulgada nesta sexta-feira (21) pela agência Reuters e repercutida pelo Brasil 247, veio depois de Washington prometer impor a Teerã as sanções financeiras mais duras de sua história.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, anunciou que vai apresentar na segunda-feira (24) os detalhes do novo pacote de restrições. "Vamos derrubar este regime. É hora de nossos aliados e do resto do mundo tomarem uma decisão", disse Bessent à emissora CNBC. As medidas seguem uma ameaça do presidente Donald Trump contra países que ofereçam "qualquer tipo de apoio financeiro ao Irã".
A guerra entre Estados Unidos e Irã, iniciada em fevereiro, se aproxima de seis meses e já derrubou dois cessar-fogos, anunciados em abril e junho. O conflito estrangulou o tráfego no Estreito de Ormuz, rota que antes concentrava cerca de um quinto do petróleo negociado no mundo. Dados da consultoria Kpler citados pela Reuters mostram que apenas sete navios de carga cruzaram o estreito na quinta-feira (20) — metade do registrado no dia anterior e muito abaixo dos mais de 130 diários de antes da guerra.
Do lado iraniano, o presidente do parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, que atua como principal negociador do país, disse que os EUA parecem ter concluído que não venceriam um confronto militar direto e por isso recorrem a uma guerra econômica e "cognitiva". Ele reconheceu, porém, a gravidade da pressão sobre a economia: "Por mais poder militar que tenhamos, não sobreviveremos se as pessoas estiverem com fome", afirmou, segundo a agência oficial IRNA.
O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, ironizou a ofensiva em publicação no X. "Há 14 anos: as sanções mais incapacitantes da história. Fracassaram. Há 8 anos: pressão máxima. Fracassou. Há 5 meses: rendição incondicional. Fracassou. Já vimos este filme antes", escreveu.
A China está no centro da nova estratégia americana. Segundo dados de 2025 da Kpler citados pela Reuters, Pequim compra mais de 80% do petróleo iraniano transportado por navios, e as ofertas de petróleo bruto a compradores chineses já caíram desde que os EUA retomaram o bloqueio a portos iranianos em julho. Bessent defendeu que os chineses participem da pressão econômica. A embaixada da China em Washington reagiu: "Sanções e pressão não ajudam a resolver o problema".
Em meio à escalada, houve um gesto diplomático. Segundo o InfoMoney, que reproduziu reportagem da Reuters, os ministros das Relações Exteriores de Omã e do Irã conversaram por telefone nesta sexta-feira sobre formas de criar condições adequadas para retomar o diálogo e as negociações, além da situação da navegação em Ormuz, informou a agência de notícias estatal omanita. Omã tem atuado como principal mediador da crise desde o cessar-fogo de abril.
No Brasil, o efeito mais visível do conflito segue no preço dos combustíveis. Segundo o portal Mercado Hoje, o governo federal avalia prorrogar por mais um mês a subvenção de R$ 0,44 por litro da gasolina, em vigor desde maio, cuja validade termina no dia 31 — reflexo direto do petróleo pressionado pela crise em Ormuz.