Justiça do Rio revoga prisão de Oruam, mas rapper segue foragido
Juíza desclassificou tentativa de homicídio para lesão corporal leve; segundo mandado de prisão, por lavagem de dinheiro, continua em vigor
Redação Apuramos
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Juíza desclassificou tentativa de homicídio para lesão corporal leve; segundo mandado de prisão, por lavagem de dinheiro, continua em vigor
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A Justiça do Rio de Janeiro revogou a prisão preventiva do rapper Oruam, nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, no processo em que ele responde por um ataque a policiais civis. A decisão foi assinada nesta sexta-feira (31) pela juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal, e veio a público neste sábado (1º). Apesar disso, o cantor continua foragido: há um segundo mandado de prisão em aberto, ligado a uma investigação por suposta lavagem de dinheiro.
Segundo a CNN Brasil, a revogação também alcançou outros réus do processo, que tiveram a prisão substituída por medidas cautelares. A defesa, representada pelo advogado Thiago Lemos, informou que aguarda o julgamento de um habeas corpus para suspender a segunda ordem de prisão — a análise está marcada para o dia 12 de agosto.
De acordo com a decisão obtida pela coluna Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, a magistrada concluiu que não havia elementos para sustentar a tese de que o artista agiu com intenção de matar durante a operação policial em sua casa.
O principal ponto da denúncia era o suposto arremesso de uma pedra de 4,85 quilos contra agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). O laudo pericial, porém, apontou que a pedra foi encontrada em uma jardineira junto à fachada do imóvel, em posição incompatível com um arremesso feito da sacada. O próprio perito, ainda segundo o Metrópoles, admitiu em juízo ter dúvida se o objeto fazia parte da ocorrência.
Para a juíza, as pedras efetivamente lançadas por Oruam pesavam entre 130 e 282 gramas e causaram escoriações e hematomas nos policiais — quadro compatível, na avaliação dela, com a tentativa de impedir o avanço da equipe, e não de matar. A acusação foi então desclassificada para lesão corporal leve, em tese.
Com a desclassificação, escreveu a magistrada, a manutenção da custódia cautelar se tornou ilegal: o rapper passou a responder por delitos cujas penas máximas são inferiores a quatro anos, como lesão corporal leve, resistência, desacato, ameaça e dano ao patrimônio. O processo foi remetido a uma vara criminal comum, já que não restou crime doloso contra a vida. Nenhuma das acusações foi julgada em definitivo.
O episódio que originou a ação penal ocorreu em julho de 2025, informou a Gazeta do Povo. Uma viatura descaracterizada foi à casa do rapper, na zona oeste do Rio, para apreender um adolescente conhecido como "Menor Piu" que descumpria medidas socioeducativas. A cena foi registrada em vídeo.
Oruam chegou a se entregar e ficou 50 dias preso em Bangu, antes de ter a medida convertida em cautelares. Foi nesse período que ocorreu a violação da tornozeleira eletrônica que o tornou oficialmente foragido, em fevereiro de 2026. À Gazeta do Povo, a defesa afirmou que, por ora, o rapper não pretende se apresentar à Justiça.
A mãe do cantor, Márcia Gama, também é investigada no processo por lavagem de dinheiro e chegou a ter a prisão decretada, mas obteve habeas corpus e responde em liberdade. Nas redes sociais, ela comemorou a decisão: "Ontem, o meu filho Mauro venceu uma delas. Sou imensamente grata a Deus por essa vitória. Mas precisamos continuar lutando", escreveu, em trecho reproduzido pelo SBT News e pela Gazeta do Povo.
Até a publicação desta reportagem, os veículos consultados não registravam manifestação pública do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre a decisão nem sobre eventual recurso. Todos os crimes citados no processo permanecem em apuração, e vale a presunção de inocência.
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