O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) escolheram o mesmo dia, o mesmo horário e a mesma cidade para medir forças. Neste sábado (22), os dois principais nomes da corrida presidencial cumpriram agendas simultâneas no Rio de Janeiro, em palanques separados por cerca de 30 quilômetros.
Segundo o jornal O Tempo, Flávio lançou no Maracanãzinho, na Zona Norte, a candidatura do deputado estadual Douglas Ruas (PL) ao governo do estado. No mesmo horário, na Zona Oeste, Lula participava do ato de campanha do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), adversário de Ruas na disputa pelo Palácio Guanabara, no Estádio Proletário Guilherme da Silveira Filho, o Moça Bonita, em Bangu.
O evento do PL reuniu ainda o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, além do senador Carlos Portinho e de Carlos Jordy, candidatos da sigla ao Senado pelo estado. "Aqui no Rio, é Ruas para derrotar o PT. No Brasil, é Bolsonaro para derrotar o PT", declarou o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ainda de acordo com O Tempo, no discurso o senador defendeu bandeiras da direita conservadora que constam de seu plano de governo, como a redução da maioridade penal, a castração química de estupradores e uma "guerra" ao narcotráfico. O Brasil de Fato registrou que Flávio também defendeu anistia ampla, geral e irrestrita para condenados e investigados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Ruas mirou a gestão de Paes na prefeitura e os megashows gratuitos realizados em Copacabana nos últimos anos. "No nosso governo, vai ter show, mas o protagonista não é a Madonna nem o Eduardo Paes. É você, cidadão do Rio de Janeiro", afirmou o deputado estadual, que prometeu acabar com convites a autoridades para camarotes na Sapucaí a partir de 2027.
Em Bangu, Lula voltou a prometer a recuperação da indústria de defesa no país e afirmou que criará o Ministério da Segurança Pública caso a proposta de emenda à Constituição que unifica o sistema de segurança seja aprovada no Senado. O presidente pediu votos para os candidatos ao Senado apoiados por sua campanha no estado, os deputados federais Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD).
"A gente tem que votar, porque o Rio de Janeiro precisa sair das páginas de jornais — das páginas policiais — e voltar para página política", disse. Conforme o Poder360, o petista afirmou que a política de segurança de seu governo terá como prioridade prender criminosos, em vez de "pirotecnia".
Ao discursar antes de Lula, Paes buscou associar nomes do PL ao crime organizado no estado, entre eles o deputado estadual Rodrigo Bacellar, réu no Supremo Tribunal Federal por ligação com o Comando Vermelho, e o ex-governador Cláudio Castro, suspeito de envolvimento com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Os atos ocorreram um dia depois da divulgação do primeiro Datafolha após o início oficial da campanha. Segundo o jornal O POVO, o levantamento aponta Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Em julho, a diferença era de oito pontos: 40% a 32%.
Na simulação de segundo turno, o petista tem 47% e o senador, 43% — empate técnico no limite da margem de erro. A pesquisa ouviu 2.058 eleitores entre 18 e 20 de agosto, tem margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04496/2026.
A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa em 28 de agosto e vai até 1º de outubro. O primeiro turno das eleições gerais está marcado para 4 de outubro, e o eventual segundo turno, para 25 de outubro.