O presidente da Federação Italiana de Futebol (FIGC), Giovanni Malagò, anunciou nesta terça-feira (28) que Roberto Mancini, de 61 anos, é o novo técnico da seleção da Itália. A decisão foi comunicada durante o conselho federal da entidade, em Roma, um dia depois de Paolo Maldini e o brasileiro Leonardo renunciarem aos cargos que ocupavam havia pouco mais de duas semanas. Claudio Ranieri, de 74 anos, também chega: será o diretor técnico e presidente do "Clube Itália", segundo a agência ANSA.
"O tempo estava apertado e eu entendi que a pessoa certa para ser o comandante devia ser Roberto Mancini", afirmou Malagò, de acordo com a ANSA.
Contrato ainda não foi assinado
O anúncio saiu antes da formalização. "Será ele o técnico, ainda falta assinar. Estamos conversando. Será oficial não sei se à tarde ou amanhã", disse Malagò, segundo o Corriere dello Sport. A apresentação de Mancini e Ranieri está prevista para esta quarta-feira (29), às 18h locais, em Roma, de acordo com a imprensa italiana.
Sobre Ranieri, o dirigente explicou que precisava "de uma pessoa com quem compartilhar a escolha do técnico" e disse que o veterano, que "há poucos minutos garantiu seu compromisso", estava "vindo da Calábria" para assumir. Giorgio Chiellini, cotado para a função, descartou o convite pela manhã ao afirmar que é "feliz" no cargo que ocupa na Juventus, ainda segundo a ANSA.
Relembre o caso
A crise se desenhou em 48 horas. Andrea Pirlo era o nome encaminhado para o banco azzurro, mas a candidatura ruiu por causa do vínculo do ex-jogador com a Fonbet, principal plataforma russa de apostas esportivas, apurou o Sky TG24. "Soube ontem à noite que não sou mais candidato", escreveu Pirlo nas redes sociais na segunda-feira (27), manifestando "amargura". No conselho desta terça, Malagò assumiu o veto: "Assumo a responsabilidade de ter interrompido o processo da escolha de Andrea Pirlo. Nem eu nem, ao que parece, o diretor técnico sabíamos do contrato russo", declarou, segundo a ANSA.
Na esteira do veto, Maldini, então diretor técnico, e Leonardo, consultor, comunicaram a saída na noite de segunda — o Sky TG24 fala em 16 dias de mandato; o Corriere dello Sport, em 17. Malagò classificou a ruptura com Maldini como "uma separação sem polêmicas". O episódio ainda rendeu troca de farpas com o ministro do Esporte, Andrea Abodi, que cobrou "remédio para um vexame"; o presidente da FIGC rebateu: "Depende de quem o fez", conforme o Sky TG24.
Segunda chance de Mancini
Mancini volta ao cargo que ocupou entre 2018 e 2023. No período, foi campeão da Eurocopa em Wembley, em 2021, e somou 37 jogos de invencibilidade — recorde que durou até a final do Mundial deste ano, quando a Espanha o superou, lembra o Corriere dello Sport. O treinador, porém, também estava no banco na eliminação para a Macedônia do Norte, em Palermo, que deixou a Itália fora da Copa de 2022. Reconfirmado na época, saiu dias depois e, em agosto de 2023, assinou com a seleção da Arábia Saudita — escolha da qual se declarou arrependido mais de uma vez, segundo o jornal.
A Azzurra vive seu momento mais delicado: a queda na repescagem, em Zenica, selou a terceira ausência consecutiva do país em Copas do Mundo.
Nome não é unanimidade
Fontes da Liga ouvidas pelo Sky TG24 afirmaram que os clubes da Série A não estavam entusiasmados com a escolha de Mancini. Já Giancarlo Abete, presidente da Liga Nacional de Amadores, defendeu o anúncio: "É a escolha de um técnico de qualidade. Estamos falando de um treinador que venceu a Eurocopa com a seleção", disse ao deixar o conselho, segundo a ANSA.
O anúncio italiano saiu no mesmo dia em que a França oficializou Zinédine Zidane como novo técnico. "Era a única coisa que eu queria, recusei clubes", afirmou o francês, de acordo com a ANSA — mais um capítulo do carrossel de treinadores aberto após o Mundial de 2026.