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MP das bets: Flamengo estima perda de até R$ 430 mi

Presidente do Flamengo, Bap, chamou de "muito rasa" a ideia de acabar com as apostas por decreto, enquanto o governo estuda aliviar dívidas dos clubes afetados pela medida.

Redação Apuramos

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David Kristianto/Unsplash — imagem ilustrativa
David Kristianto/Unsplash — imagem ilustrativa

A Medida Provisória que baniu as apostas de quota fixa no Brasil, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (25), colocou o futebol brasileiro em alerta. O Flamengo, um dos clubes mais dependentes de patrocínios ligados a casas de apostas, reagiu publicamente contra a medida neste fim de semana.

Em entrevista ao Poder360, o presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, criticou a ideia de que uma decisão do Executivo resolveria o problema das apostas. "Com uma canetada você vai acabar com o jogo no Brasil, isso é muito raso", afirmou, argumentando que a proibição abrupta tende a empurrar apostadores para plataformas ilegais, sediadas fora do país.

Segundo o Poder360, Bap citou uma dependência de cerca de R$ 400 milhões em receitas diretas e indiretas ligadas às casas de apostas, somando patrocínios, publicidade e recursos de campeonatos. Já o ND+ e a InfoMoney divulgaram estimativa do próprio clube de perda de até R$ 430 milhões com o fim abrupto dos contratos. Em nota oficial, o Flamengo afirmou que "o jogo não vai acabar com uma canetada".

A MP, segundo reportagem do Metropoles, proíbe apostas de quota fixa em formato físico e digital, incluindo jogos de cassino on-line como o "Jogo do Tigrinho" e plataformas estrangeiras que atendem usuários brasileiros. Novos depósitos e publicidade das casas de apostas já estão proibidos desde a assinatura. O prazo para os usuários sacarem saldos das contas vai até 5 de outubro, e os sites e aplicativos devem sair do ar em 6 de outubro. Entre 7 e 14 de outubro, operadoras e bancos processam a devolução dos valores aos clientes, e recursos não reclamados ficam sob custódia da Caixa Econômica Federal. O Congresso tem 120 dias para votar a medida, que ainda não havia sido formalmente enviada ao Legislativo até a publicação das reportagens.

Para amenizar o impacto sobre os clubes, o governo prepara um pacote paralelo. De acordo com a CNN Brasil, que cita fonte do Palácio do Planalto, a equipe econômica estuda prorrogar prazos de dívidas dos clubes com a União e bancos públicos, além de linhas de financiamento do BNDES para infraestrutura esportiva com juros reduzidos. A reportagem também destaca alerta do colunista Pedro Venceslau de que uma MP no meio do Campeonato Brasileiro "geraria enorme insegurança jurídica no mundo do esporte" e que a proibição pode ampliar as operações do mercado clandestino de apostas.

A medida foi assinada pouco mais de uma semana antes do primeiro turno das eleições e cumpre promessa de campanha de Lula, que já havia comparado as apostas a um "câncer" no país. A oposição classificou o momento como oportunismo eleitoral: o senador Flávio Bolsonaro defende distinguir cassino on-line de apostas esportivas, propondo regras mais brandas para o segundo caso em vez do banimento total.

Até a votação no Congresso, a proibição segue em vigor, e clubes como o Flamengo já se movimentam para renegociar contratos de patrocínio afetados pela mudança.

Fontes consultadas nesta apuração

  • mp das bets
  • flamengo
  • lula
  • futebol
  • apostas esportivas

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