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Nobel da Paz 2026 vai para Navi Pillay; quem é a jurista

Ex-alta comissária da ONU para direitos humanos, sul-africana de 85 anos foi premiada por seu trabalho em defesa da paz e do direito internacional.

Redação Apuramos

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René DeAnda/Unsplash — imagem ilustrativa
René DeAnda/Unsplash — imagem ilustrativa

O Comitê Nobel Norueguês anunciou nesta sexta-feira (9), em Oslo, que o Prêmio Nobel da Paz de 2026 vai para a jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay, de 85 anos. Segundo a Al Jazeera, é a 125ª edição do prêmio.

De acordo com a CBS News, ela foi premiada "por seus esforços para promover a paz e o direito internacional".

O que disse o comitê

O presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, afirmou que o sistema jurídico internacional está "sob enorme pressão" e que suas instituições estão "sob ataque". Ele descreveu os juízes como aqueles que "guardam a tênue linha vermelha entre a ordem e o caos".

"Isto é definitivamente uma mensagem para aqueles que estão minando o sistema e as instituições internacionais", disse Frydnes, segundo a CBS News. Para o comitê, o direito internacional "não é mais apenas um complemento à paz e à segurança. É uma necessidade absoluta".

Quem é Navi Pillay

Segundo a Al Jazeera, Pillay é de origem tâmil indiana. Em 1967, tornou-se a primeira mulher a abrir um escritório de advocacia na então província de Natal, na África do Sul. Defendeu Nelson Mandela e outros ativistas contra o apartheid e foi a primeira mulher não branca a integrar a Suprema Corte do país.

Ela atuou no Tribunal Penal Internacional para Ruanda, onde, segundo o comitê, teve papel em estabelecer que estupro e violência sexual podem configurar crimes contra a humanidade e genocídio. Depois, foi juíza do Tribunal Penal Internacional (TPI), de 2003 a 2008, e deixou o cargo para ser alta comissária da ONU para direitos humanos, informou a CBS News.

Pillay presidiu a Comissão de Inquérito da ONU sobre o território palestino ocupado, que concluiu no ano passado que Israel cometeu genocídio em Gaza. Israel classificou o relatório como "escandaloso". Ela também integra a Corte Internacional de Justiça no caso em que Mianmar é acusado de genocídio contra os rohingyas.

Reações

Pillay contou que, ao receber a notícia, achou que fosse uma brincadeira. "Sendo advogada e juíza, ainda quero verificar isso", disse. Sobre o elogio à sua coragem, questionou: "Por que seria preciso coragem para dizer a verdade?"

O Ministério das Relações Exteriores de Israel condenou a escolha e a chamou de "instrumentalização grotesca de um prêmio para legitimar ódio e preconceito contra Israel", segundo a CBS News.

O pesquisador Ashok Swain, da Universidade de Uppsala, disse à Al Jazeera que o prêmio não trará mudança concreta no terreno, mas que a mensagem importa no cenário atual, em que o direito internacional "virou terra de ninguém".

Prêmio e disputa

O Nobel da Paz vale 12 milhões de coroas suecas, cerca de US$ 1,2 milhão. A cerimônia de entrega será em 10 de dezembro, em Oslo. O comitê recebeu 287 candidaturas neste ano, segundo a Al Jazeera.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é citado há tempos como alguém que deseja o prêmio. Em tom de brincadeira, Pillay disse em um evento em Nuremberg: "Se vocês aplaudirem um pouco mais alto, posso dividir este prêmio com Trump".

A CBS News lembra que a vencedora do ano passado, María Corina Machado, entregou sua medalha a Trump, mas o comitê afirma que a honraria não pode ser transferida.

Fontes consultadas nesta apuração

  • nobel da paz
  • navi pillay
  • nobel 2026
  • direito internacional
  • onu
  • tpi

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