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Ex-vereador de SP é alvo de operação contra o PCC no transporte

Milton Leite, aliado de Tarcísio de Freitas, é tratado como foragido pela polícia na Operação Vectura Corrupta, que apura infiltração da facção em empresas de ônibus.

Redação Apuramos

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Mathias Reding/Unsplash — imagem ilustrativa
Mathias Reding/Unsplash — imagem ilustrativa

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta quinta-feira (17) a Operação Vectura Corrupta, que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de ônibus da capital paulista. Entre os alvos está o ex-vereador Milton Leite (União Brasil), apontado pela investigação como responsável direto pela operação de empresas controladas pela facção — entre elas a Transwolff, da qual seria proprietário de fato, segundo a CNN Brasil.

Segundo reportagem do G1 replicada pelo Jornal Passaporte, a ação cumpriu 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em São Paulo e em outras seis cidades da Grande São Paulo e da Baixada Santista — Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. Doze empresas de transporte coletivo entraram no radar da investigação, entre elas Viação Transcap, Alfa Rodobus, Transwolff e A2 Transportes.

Milton Leite, de 70 anos, presidiu a Câmara Municipal de São Paulo por seis mandatos entre 1997 e 2024 e chegou a responder pela prefeitura interinamente. De acordo com a CNN Brasil, ele não foi encontrado em casa durante o cumprimento dos mandados e passou a ser tratado pela polícia como foragido.

Em resposta, segundo a Metrópoles, o ex-vereador negou estar escondido: "Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas." Ele atribuiu o distanciamento a uma agenda de campanha dos filhos — candidatos a deputado estadual e federal — e a compromissos particulares, e afirmou não ter nenhuma ligação com o PCC.

Também foram alvo de mandados o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira e o ex-candidato a prefeito de Praia Grande Danilo Marco Morgado Silva, segundo o Jornal Passaporte. A investigação cita ainda José Daniel Satilite, apontado como intermediário da facção. A operação também mira um grupo de advogados identificado pelos investigadores como "Sintonia dos Gravatas", formado por Cícero José dos Santos Filho, Eduardo Medeiros e Milton Mello Milreu.

O caso ganhou repercussão política porque, segundo o Metrópoles, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) elogiou publicamente Milton Leite havia apenas 18 dias. Em 30 de agosto, durante evento de lançamento das candidaturas dos filhos do ex-vereador — Alexandre Leite, a deputado estadual, e Milton Leite Filho, a deputado federal —, Tarcísio afirmou: "Assim que nós chegamos em São Paulo, nós fomos abraçados por eles, uma parceria enorme."

O ex-vereador foi uma das principais lideranças políticas da zona Sul de São Paulo nas últimas três décadas, tendo recebido mais de 132 mil votos na eleição de 2020. Até a publicação desta reportagem, a Polícia Civil não havia divulgado balanço atualizado sobre prisões efetivamente cumpridas, e o prazo de 24 horas dado por Milton Leite para se apresentar às autoridades ainda não havia se encerrado.

Fontes consultadas nesta apuração

  • PCC
  • Milton Leite
  • Tarcísio de Freitas
  • São Paulo
  • Operação Vectura Corrupta
  • ônibus

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