O número de desalojados no Rio Grande do Sul chegou a 2.686 pessoas, segundo boletim que a Defesa Civil estadual divulgou na manhã deste domingo (9/8). O balanço anterior, de sábado, apontava 2.362. Ao todo, 117 municípios comunicaram prejuízos causados pelos temporais que atingem o estado desde a última quinta-feira (6/8).
Os dados foram divulgados pela Agência Brasil e reproduzidos pelo portal aRede. Desalojados são moradores que precisaram deixar suas casas e foram acolhidos por parentes ou amigos; segundo o órgão, apenas uma pessoa, em Montenegro, ficou desabrigada e dependeu de abrigo público.
Uma morte e cinco feridos
A Defesa Civil confirma uma morte e cinco feridos desde sexta-feira (7/8). A vítima fatal é um motociclista que se acidentou na rodovia estadual RS-124, no município de Montenegro. A identificação não foi divulgada.
As circunstâncias do acidente ainda não estão esclarecidas. "A gente ainda não sabe se a árvore caiu no momento em que ele passava ou se já estava caída na estrada e ele bateu", disse ao ND Mais a diretora do Departamento de Gestão de Risco da Defesa Civil, Ana Maria Hermes.
Entre os feridos, o caso mais delicado é o de um morador de Novo Hamburgo que se enroscou em fiação durante o vendaval — o órgão informou que o estado de saúde dele exige atenção maior. Em Osório, um militar foi atingido por um estilhaço enquanto estava dentro de uma viatura em atendimento. Outras três pessoas tiveram ferimentos leves em Dom Feliciano.
Frente fria, e não o ciclone-bomba
O boletim deste domingo traz um esclarecimento técnico: os estragos foram provocados por uma linha de instabilidade associada a uma frente fria, e não pelo ciclone-bomba noticiado ao longo da semana.
Segundo a Defesa Civil, esse ciclone se formou entre a Argentina e o Uruguai, mas se deslocou pelo oceano. O sistema levou ventos ao litoral gaúcho, sem provocar impactos maiores no continente.
Há divergência entre os veículos quanto ao total de cidades afetadas: o boletim citado pela Agência Brasil e pelo ND Mais fala em 117 municípios, enquanto o Metrópoles registrou, no sábado, 129 municípios com danos reportados.
Minas do Leão é a cidade mais atingida
Com cerca de 7,5 mil habitantes e a 94 km de Porto Alegre, Minas do Leão concentra o maior número de desalojados: 500. Em seguida aparecem Novo Hamburgo (480) e Sapiranga (360).
O município foi varrido por ventos acima de 100 km/h entre a noite de quinta-feira e a madrugada de sexta. Os bairros Santa Albina e São Miguel foram os mais castigados, com árvores derrubadas, postes caídos e centenas de residências destelhadas.
"Já computamos 374 famílias [afetadas], porém sabemos que este número é ainda maior porque algumas pessoas foram para casas de parentes, porque, infelizmente, perderam praticamente todo o telhado da sua residência e não tinham como ficar no seu espaço", afirmou a prefeita Silvia Lasek (PP) em vídeo publicado nas redes sociais, segundo o Metrópoles.
A prefeitura começou a distribuir telhas de fibrocimento e lonas no sábado. Como parte da cidade seguia sem energia elétrica e sem sinal de telefonia, a administração instalou um equipamento de internet via satélite na unidade de saúde do município para não interromper os atendimentos. "O objetivo é permitir que as famílias iniciem o processo de recuperação das residências de forma ágil e segura", informou a prefeitura em nota ao Poder360.
Alerta segue no Sudeste
O sistema também alcançou o Sudeste. No Rio de Janeiro, o Centro de Operações e Resiliência (COR) informou na madrugada deste domingo que a passagem de uma nova frente fria deixaria a cidade com ventos moderados e rajadas pontuais de 52 km/h a 76 km/h, sobretudo entre a manhã e a tarde, além de chuva fraca isolada.
Para os próximos dias, a previsão no Sul é de queda acentuada das temperaturas. Em Porto Alegre, as máximas devem ficar abaixo de 16 °C.