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Temporal em Ribeirão Preto: Guariba tem "70% da cidade destruída"

Prefeito estima R$ 46 milhões e mais de cinco anos de reconstrução; Ribeirão Preto calcula prejuízo de R$ 21,2 milhões e pede reconhecimento de emergência ao governo federal

Redação Apuramos

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Temporal em Ribeirão Preto: Guariba tem "70% da cidade destruída"
Josep Castells/Unsplash — imagem ilustrativa

O prefeito de Guariba (SP), Francisco Dias Mançano (MDB), estima que 70% das casas e prédios públicos do município foram danificados pelo temporal que atingiu a região de Ribeirão Preto na sexta-feira (24), com rajadas de vento de até 160 km/h, chuva forte e granizo. "Estou com 70% da cidade destruída. São casas com danos variados e prédios públicos destruídos", disse Mançano ao jornal Folha de S.Paulo, em declaração repercutida na noite de terça (28) pela Revista Oeste.

Segundo o prefeito, serão necessários cerca de R$ 46 milhões para recuperar a cidade de 38,7 mil habitantes — e a reconstrução pode se estender por até cinco anos e meio. Mançano, que se reuniu com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com o governador Tarcísio de Freitas no fim de semana, afirmou nunca ter visto algo semelhante na região. Na segunda-feira (27), de acordo com a concessionária CPFL, cerca de 1,3 mil imóveis de Guariba — quase 8% do total — ainda estavam sem energia elétrica.

Ribeirão Preto pede ajuda federal

Em Ribeirão Preto, a maior cidade atingida, a prefeitura calculou prejuízo de R$ 21,15 milhões apenas com limpeza emergencial, remoção de árvores caídas e lavagem de vias e praças. O valor consta em ofício assinado na segunda-feira (27) pelo prefeito Ricardo Silva (PSD) e enviado à Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, com pedido de reconhecimento federal da situação de emergência e de apoio financeiro para a reconstrução, apurou o ACidadeON.

"Deixar a cidade limpa, ordenada, vai custar uma fatia muito grande do orçamento municipal, do qual nós não temos a disposição orçamentária", disse Silva. A conta não inclui a reconstrução da infraestrutura urbana: o município projeta a necessidade de reerguer cerca de 500 moradias para famílias desabrigadas, além de recuperar a rede elétrica. O temporal deixou uma vítima fatal na cidade, derrubou centenas de árvores e chegou a deixar 5 mil alunos da rede municipal sem aula.

Estado envia telhas, cestas e caminhões-pipa

A Defesa Civil estadual já distribuiu cerca de 11,5 mil itens de ajuda humanitária — cestas básicas, colchões, cobertores e água potável — às cidades de Ribeirão Preto, Guariba, Taquaritinga, Dumont e Pradópolis, segundo a Agência Brasil. A operação inclui ainda 6 mil telhas para reparos emergenciais e 11 caminhões-pipa para reforçar o abastecimento.

Ribeirão Preto e Guariba decretaram situação de emergência; Taquaritinga e Dumont aguardam a oficialização dos decretos. No campo, técnicos da Secretaria estadual de Agricultura apontam Taquaritinga como o município mais afetado, com perdas em estufas, lavouras e pomares. Também houve danos em canaviais e estoques de amendoim nas regiões de Ribeirão Preto e Jaboticabal.

Microexplosão, e não tornado

A principal hipótese dos meteorologistas para o fenômeno é uma microexplosão, e não um tornado. Segundo Josélia Pegorim, da Climatempo, em entrevista à EPTV, a microexplosão é uma corrente de ar que desce com violência da base de uma nuvem de tempestade (supercélula) e se espalha em todas as direções ao tocar o solo, sem o movimento giratório típico do tornado. As rajadas podem chegar a 177 km/h — força comparável à de um tornado de categoria EF1.

A confirmação, explica a meteorologista, depende da análise de radares, satélites e vistoria técnica dos danos. Para a Defesa Civil de Ribeirão Preto, o vendaval foi o evento mais intenso registrado na cidade desde 1994, quando um temporal deixou três mortos.

Fontes consultadas nesta apuração

  • temporal
  • Guariba
  • Ribeirão Preto
  • vendaval
  • microexplosão
  • Defesa Civil
  • São Paulo

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