A Ucrânia lançou cerca de 650 drones contra Moscou e a região ao redor da capital russa na madrugada desta terça-feira (6), em um dos maiores ataques do tipo desde o início da guerra. Duas pessoas morreram e outras ficaram feridas, segundo autoridades russas.
Segundo a Al Jazeera, o prefeito de Moscou, Serguei Sobianin, informou que cerca de 650 aeronaves não tripuladas foram enviadas em direção à capital e que a maioria foi interceptada pelas defesas aéreas.
Mortos e danos
O governador da região de Moscou, Andrei Vorobiov, confirmou duas mortes: uma em Radumlia e outra em Barybino. De acordo com o The Moscow Times, as vítimas são um homem de 20 anos e outro de 71, retirado dos escombros. A Al Jazeera cita sete feridos; o Moscow Times fala em nove.
Ainda conforme as autoridades, cerca de 47 casas particulares, quatro prédios de apartamentos e alguns veículos foram danificados em sete municípios. Um armazém também pegou fogo.
Depósito de combustível
Segundo a Al Jazeera, analistas militares apontaram que o depósito de petróleo Volodarskaia, o maior da região de Moscou, pode ter sido atingido. A instalação abastece os principais aeroportos da capital e funciona como ponto de distribuição da malha nacional de oleodutos. Não houve confirmação oficial do dano até a publicação.
O Moscow Times informou que houve atrasos e cancelamentos de voos no aeroporto de Sheremetievo durante os alertas de ataque aéreo.
Resposta russa
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou, segundo o Moscow Times, ter interceptado 868 drones ucranianos em diversas regiões. A agência AP, em texto reproduzido pela ABC News, fala em quase 900. Sobianin disse que 105 aparelhos foram derrubados na aproximação final da capital, e a AP menciona outros 68 abatidos durante o dia. Moscou também afirmou ter retaliado contra portos ucranianos no Mar Negro.
Contexto
De acordo com a Al Jazeera, a ofensiva encerra uma relativa pausa nos grandes ataques ucranianos a Moscou desde meados de setembro. Nas últimas semanas, os dois países intensificaram ataques de longo alcance, e a Rússia planeja ampliar os bombardeios com a chegada do inverno.
A Ucrânia tem mirado sistematicamente a infraestrutura de combustível russa para reduzir a capacidade financeira de Moscou de sustentar a guerra. Na segunda-feira (5), o Apuramos mostrou que Kiev afirma ter deixado 51% do refino russo fora de operação. As restrições russas à exportação de diesel, motivadas pelos danos às refinarias, elevaram os preços globais de combustíveis, segundo a AP.
Os números são de autoridades russas e não puderam ser verificados de forma independente. A Ucrânia não havia comentado oficialmente os detalhes do ataque até a publicação.