O Vasco da Gama tem um novo controlador à vista. O empresário Marcos Lamacchia, à frente da Almirante Participações, venceu nesta sexta-feira (25) o leilão pela Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube carioca e deve assumir 90% das ações, segundo informou a CNN Brasil.
A proposta foi a única apresentada no processo competitivo conduzido dentro da recuperação judicial do Vasco, o que garantiu a vitória por ausência de concorrência, de acordo com o Lance!. Lamacchia entrou como "stalking horse" — proponente que serve de base de comparação no leilão — e não recebeu lances superiores à sua oferta.
Segundo a Rádio Itatiaia, o pacote prevê R$ 500 milhões destinados exclusivamente ao futebol, divididos em R$ 80 milhões de conversão de um empréstimo DIP em participação societária, R$ 120 milhões para o Centro de Treinamento e R$ 30 milhões para as categorias de base. O comprador também assume obrigações da recuperação judicial e dívidas do clube, o que eleva o valor total da operação, incluindo passivos herdados, a uma cifra estimada em R$ 3 bilhões, conforme apurou o Lance!.
Lamacchia é apontado por veículos esportivos como ligado à família de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e de José Roberto Lamacchia. A relação deve ser analisada pela Anresf, entidade que fiscaliza as SAFs brasileiras, e pela CBF, por possível conflito de interesses entre clubes rivais, informou a CNN Brasil.
Após a homologação da proposta, o presidente do Vasco, Pedrinho, se emocionou ao comentar o desfecho. "Fico emocionado porque isso é só um dia, mas todos os dias de resistência, luta, resiliência, foram muito duros", afirmou, segundo a CNN Brasil. Sobre o impacto financeiro, foi direto: "O meu papel e do meu grupo foi feito, pois pagamos as dívidas. Com o investidor, as dívidas do Vasco estão sanadas (...) acabou o problema da dívida do Vasco". Ele também descartou qualquer entrave junto à CBF: "O conflito de interesse é zero, e vou respeitar todos os critérios estipulados pela CBF".
O acordo agora depende de duas etapas internas: aprovação do Conselho Deliberativo do Vasco e votação em Assembleia Geral Extraordinária. Somente depois desses passos, e do aval dos órgãos de fiscalização, a transferência de controle será concluída. Segundo a Rádio Itatiaia, o contrato ainda prevê restrição de dez anos para a venda da participação ou distribuição de dividendos aos novos controladores.
A disputa pela SAF do Vasco se arrastava desde que o clube decidiu abrir o capital para tentar equacionar o passivo acumulado em anos de crise. Com apenas uma proposta na mesa, o leilão encerra, por ora, a etapa mais aguardada do processo — mas a confirmação definitiva do novo controlador ainda depende do aval dos conselheiros e dos associados do clube.