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Hapvida: ANS barra reajuste e cancelamento de 950 mil contratos

Medida cautelar anunciada pelo diretor-presidente Wadih Damous trava plano que poderia atingir 12% da carteira da operadora; ações caíram e empresa promete esclarecimentos.

Redação Apuramos

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National Cancer Institute/Unsplash — imagem ilustrativa
National Cancer Institute/Unsplash — imagem ilustrativa

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) suspendeu, por medida cautelar, os reajustes e cancelamentos de contratos anunciados pela Hapvida. A decisão, divulgada na quinta-feira (20) pelo diretor-presidente da agência, Wadih Damous, trava um plano da operadora que poderia alcançar cerca de 950 mil contratos — aproximadamente 12% da carteira.

Segundo a Agência Brasil, a operadora foi notificada a prestar esclarecimentos sobre o anúncio de reajustes de dois dígitos ou do cancelamento unilateral de parte da base de clientes. A ANS também deve se reunir com representantes da empresa para discutir as medidas.

"Em vista do grande número de contratos e de vidas envolvidas, essa medida tem uma aparência muito forte de seleção de risco, o que é proibido e que será apurado pela ANS. Assinamos uma medida cautelar para frear qualquer medida de rescisão ou reajuste até que os esclarecimentos sejam prestados", afirmou Damous.

A chamada seleção de risco ocorre quando uma operadora tenta se desfazer dos clientes que geram mais custos, prática vedada pelas regras da saúde suplementar. De acordo com a ANS, a cautelar foi adotada de ofício, ou seja, por iniciativa da própria agência, antes da conclusão da apuração do caso. Os esclarecimentos apresentados pela Hapvida serão analisados para verificar se as medidas anunciadas respeitam as normas do setor.

O plano da operadora veio a público no material de divulgação do balanço do segundo trimestre, na semana passada. Segundo reportagem da agência Reuters publicada pelo Money Times, a Hapvida informou ter feito uma análise da base de contratos para identificar aqueles com margem negativa, além de adotar critérios mais rígidos para clientes inadimplentes. Em junho de 2026, cerca de 947 mil vidas se enquadravam nos novos critérios — em torno de 11% do total —, com mensalidade média equivalente à metade do tíquete médio consolidado da companhia.

No documento, a empresa afirmava que, "seja na renegociação bem-sucedida, seja na descontinuidade das vidas", o efeito seria favorável para a margem e a geração de caixa.

Procurada pela Reuters, a Hapvida disse que apresentará todos os esclarecimentos ao órgão regulador e que as medidas "estão relacionadas a contratos com inadimplência e à renegociação de grandes contratos coletivos empresariais que apresentam desequilíbrio econômico-financeiro". A operadora afirmou ainda que a revisão não significa, necessariamente, o cancelamento dos contratos e que a decisão de rescisão ou saída "será sempre do cliente".

O anúncio pesou na bolsa. As ações da Hapvida (HAPV3) chegaram a cair quase 6% na quinta-feira, cotadas a R$ 6,17 no meio da tarde, pior desempenho do Ibovespa naquele momento, segundo o Money Times. Em agosto, os papéis acumulam queda em torno de 45%, movimento puxado pela frustração com o resultado do segundo trimestre, que registrou queda de lucro e de Ebitda.

Em relatório citado pelo Money Times, analistas do Itaú BBA avaliaram que a revisão de contratos era parte importante do plano da administração para recuperar rentabilidade — e que a ação do regulador representa risco de atraso, restrição ou mudança no alcance dessas medidas.

Na prática, enquanto a cautelar estiver em vigor, os reajustes e cancelamentos anunciados ficam suspensos. Beneficiários que receberem comunicados de rescisão ou de aumento consideradas irregulares podem procurar os canais de atendimento da ANS.

Fontes consultadas nesta apuração

  • hapvida
  • ans
  • planos de saúde
  • saúde suplementar
  • hapv3
  • wadih damous

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