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Anvisa aprova remédio oral contra câncer de mama avançado

Etcamah, da AstraZeneca, é indicado a pacientes com mutação no gene ESR1 e amplia as opções de tratamento contra o tipo de câncer mais comum entre mulheres no Brasil.

Redação Apuramos

Publicado em

National Cancer Institute/Unsplash — imagem ilustrativa
National Cancer Institute/Unsplash — imagem ilustrativa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Etcamah (camizestranto), primeiro medicamento oral da classe dos degradadores seletivos do receptor de estrogênio (SERD) de nova geração liberado no Brasil para tratar o câncer de mama avançado. A aprovação foi concedida em 21 de setembro, segundo a Exame.

O remédio é indicado a pacientes adultas com câncer de mama localmente avançado ou metastático, com tumores positivos para receptor de estrogênio (ER+) e negativos para HER2 (HER2-). O público-alvo são mulheres que desenvolveram mutação no gene ESR1 depois de pelo menos seis meses de tratamento hormonal combinado com um inibidor de CDK4/6, terapia de primeira linha mais usada contra esse tipo de tumor.

Segundo o SBT News, a mutação ESR1 é uma alteração genética que costuma tornar o câncer resistente às terapias hormonais convencionais, reduzindo as opções de tratamento disponíveis. O camizestranto foi desenvolvido justamente para contornar essa resistência.

De acordo com o O Tempo, o medicamento age de forma dupla sobre as células tumorais: bloqueia o receptor de estrogênio na superfície da célula e induz a própria célula a destruir essa estrutura, interrompendo os sinais químicos que alimentam o crescimento do tumor.

Os resultados que embasaram a aprovação vêm do estudo Serena-6, que acompanhou 315 pacientes. Segundo o O Tempo, os dados mostraram redução de 56% no risco de progressão da doença ou morte em comparação com o tratamento hormonal padrão. O tempo médio de controle do câncer sem progressão saltou de 9,2 meses para 16 meses no grupo tratado com o novo medicamento.

O Etcamah é fabricado pela AstraZeneca do Brasil. Antes de chegar ao país, ele já havia recebido aprovação acelerada da agência regulatória dos Estados Unidos, a FDA, no início de setembro, e também está autorizado na Europa. No Brasil, o próximo passo é a avaliação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), responsável por definir o preço de venda. Ainda não há data prevista para a chegada às farmácias nem confirmação sobre cobertura pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou por planos de saúde privados.

O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres brasileiras, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) citados pelo O Tempo, o Brasil estimou 73.610 novos casos por ano entre 2023 e 2025, o equivalente a 30,1% de todos os diagnósticos de câncer em mulheres no país. No mundo, a Organização Mundial da Saúde registrou 2,4 milhões de novos casos e 694 mil mortes pela doença em 2024.

Para especialistas em oncologia, medicamentos como o camizestranto ganham relevância por atender justamente o subgrupo de pacientes que desenvolve resistência às terapias hormonais mais usadas hoje — um dos principais desafios no manejo do câncer de mama metastático e um fator que costuma limitar as opções terapêuticas depois da primeira linha de tratamento.

Fontes consultadas nesta apuração

  • saúde
  • anvisa
  • câncer de mama
  • medicamento
  • astrazeneca

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