Apuramos.

Lemos todas as fontes. Você decide.

Sobre
Mundo

Ataque russo em Kiev mata 16; hospital infantil é atingido

Ofensiva com mísseis balísticos e 168 drones na madrugada desta quinta (20) deixou mais de 40 feridos e partes da capital ucraniana sem energia; no país, mortos em 24 horas chegam a 23.

Redação Apuramos

Publicado em

Ian Usher/Unsplash — imagem ilustrativa
Ian Usher/Unsplash — imagem ilustrativa

Mísseis balísticos russos mataram ao menos 16 pessoas e deixaram mais de 40 feridas em Kiev na madrugada desta quinta-feira (20), segundo autoridades ucranianas. A ofensiva em grande escala danificou prédios residenciais, armazéns e um hospital infantil, além de deixar partes da capital da Ucrânia sem energia elétrica.

Segundo a CNN Brasil, que reproduziu apuração da agência Reuters, a Força Aérea da Ucrânia informou que a Rússia lançou dezenas de mísseis balísticos, de cruzeiro e hipersônicos, além de 168 drones, no ataque noturno. A defesa aérea abateu 145 drones e a maioria dos mísseis de cruzeiro — mas nenhum dos mísseis de trajetória balística.

O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, afirmou que pessoas ficaram presas em um edifício residencial e que incêndios foram registrados em vários pontos da cidade. Um hospital infantil no distrito de Solomianskyi teve janelas estilhaçadas, disse o prefeito.

Somando os ataques com drones e artilharia nas regiões de Zhytomyr, Kherson, Kharkiv e Donetsk, o número de mortos em todo o país chegou a 23 nas últimas 24 horas, com 132 feridos, de acordo com balanço das administrações militares regionais citado pela CNN.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou que "os russos se prepararam por muito tempo e combinaram vários tipos de projéteis, mísseis de cruzeiro e drones para causar o máximo de dano possível à infraestrutura civil". Segundo ele, também foram atingidas uma infraestrutura de gás na região de Chernihiv e uma passagem de fronteira com a Moldávia na região de Odessa.

Já o Ministério da Defesa da Rússia afirmou, no Telegram, ter realizado um "ataque em larga escala com armas de alta precisão" contra instalações militares, um centro de transporte e logística e armazéns em Kiev e arredores.

A madrugada expôs um problema crescente da defesa ucraniana: a escassez de mísseis interceptadores Patriot, os únicos capazes de deter mísseis balísticos de alta velocidade. Em entrevista à CNN no início do mês, Zelensky disse que o país tem apenas 10% dos interceptadores de que precisa e duas vezes e meia menos do que tinha em 2025 — enquanto a Rússia teria dobrado sua produção mensal de mísseis balísticos.

O ataque também provocou reação de vizinhos. A Romênia informou que um drone russo caiu em área desabitada no condado de Tulcea, perto da fronteira. A presidente da Moldávia, Maia Sandu, disse que um drone caiu em território moldavo e cobrou "pressão muito maior" sobre a Rússia. A Polônia, membro da Otan, iniciou operações preventivas de aviação militar para proteger seu espaço aéreo.

O bombardeio ocorre um dia depois de Rússia e Ucrânia realizarem a primeira troca de prisioneiros desde junho, que envolveu 103 militares — gesto que vinha sendo lido como sinal de reaquecimento das negociações, como o Apuramos mostrou na quarta-feira (19).

No campo diplomático, Zelensky afirmou neste mês ter entregado aos negociadores americanos Steve Witkoff e Jared Kushner propostas para um plano de fim da guerra. A porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, disse ao jornal Izvestia que Moscou não recebeu propostas específicas para novas reuniões, mas estaria disposta a organizá-las em curto prazo.

Rússia e Ucrânia trocam ataques quase diariamente desde a invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022. Até agora, os esforços diplomáticos liderados por Estados Unidos e Europa não produziram um cessar-fogo duradouro.

Fontes consultadas nesta apuração

  • guerra na ucrânia
  • kiev
  • rússia
  • ucrânia
  • zelensky
  • mísseis
  • drones

Mais de Mundo