A Etiópia e a Eritreia romperam relações diplomáticas nesta semana, na maior escalada de tensão entre os dois países desde a guerra civil de 2020 a 2022 no norte etíope.
Segundo o CNBC Africa, o governo etíope ordenou o fechamento da embaixada em Asmara e declarou 10 diplomatas eritreus persona non grata, com prazo de 48 horas para deixarem o país. A Eritreia reagiu e cortou todos os laços diplomáticos com a Etiópia.
O que disseram os governos
De acordo com o Newscord, que reúne a cobertura de diversos veículos, o Ministério das Relações Exteriores da Etiópia citou "ações hostis, diretas e indiretas, da Eritreia" e acusou os diplomatas expulsos de atividades que ameaçam a segurança nacional.
O Ministério das Relações Exteriores da Eritreia afirmou, conforme o CNBC Africa, que o país "não tem outra opção a não ser retribuir na mesma moeda e cortar todos os laços diplomáticos com a Etiópia, com todos os corolários negativos que isso implica". O ministro da Informação eritreu disse que a Etiópia mantinha uma agenda hostil havia três anos, segundo o Newscord.
Egito também entra na disputa
O CNBC Africa informa que a Etiópia declarou persona non grata também um diplomata egípcio, com prazo de 48 horas. O Egito respondeu na mesma medida contra um conselheiro da embaixada etíope.
Addis Abeba afirma que Eritreia, Sudão e Egito apoiam a aliança de oposição liderada pela TPLF (Frente de Libertação do Povo de Tigré). Os três países negam envolvimento.
Explosões em Addis Abeba
A escalada ocorreu depois de explosões na capital etíope durante a noite. Segundo o Newscord, a agência Reuters publicou que uma fonte ligada à aliança de oposição disse ter realizado vários ataques com drones em Addis Abeba. Conforme o CNBC Africa, fontes da oposição apontam alvos militares. O Newscord acrescenta que, desde o fim de setembro, há novos choques entre as forças federais etíopes e a TPLF.
Contexto histórico
A embaixada etíope em Asmara foi reaberta em 2018, no processo de reaproximação conduzido pelo primeiro-ministro Abiy Ahmed, que lhe rendeu o Nobel da Paz. Na guerra de 2020 a 2022, os exércitos dos dois países lutaram do mesmo lado contra a TPLF. O conflito deixou centenas de milhares de mortos; o Newscord fala em cerca de 600 mil.
Reação internacional
A Comissão da União Africana pediu "máxima contenção" e diálogo por canais diplomáticos, segundo o CNBC Africa.
O boletim Just Security, que resume o noticiário internacional desta sexta-feira (2/10), também lista o rompimento entre os dois países entre os principais fatos do dia, ao lado da guerra entre Rússia e Ucrânia e das tensões no Oriente Médio.
Os fatos acima são os confirmados pelas fontes citadas. As acusações de apoio externo à oposição etíope são negadas pelos países mencionados, e os ataques com drones foram atribuídos apenas a uma fonte da oposição, sem confirmação independente nos textos consultados.