Apuramos.

Lemos todas as fontes. Você decide.

Sobre
Mundo

Etiópia e Eritreia rompem relações em meio a novos combates

Addis Abeba fechou a embaixada em Asmara e expulsou 10 diplomatas eritreus; a Eritreia respondeu cortando todos os laços. A União Africana pede "máxima contenção".

Redação Apuramos

Publicado em

René DeAnda/Unsplash — imagem ilustrativa
René DeAnda/Unsplash — imagem ilustrativa

A Etiópia e a Eritreia romperam relações diplomáticas nesta semana, na maior escalada de tensão entre os dois países desde a guerra civil de 2020 a 2022 no norte etíope.

Segundo o CNBC Africa, o governo etíope ordenou o fechamento da embaixada em Asmara e declarou 10 diplomatas eritreus persona non grata, com prazo de 48 horas para deixarem o país. A Eritreia reagiu e cortou todos os laços diplomáticos com a Etiópia.

O que disseram os governos

De acordo com o Newscord, que reúne a cobertura de diversos veículos, o Ministério das Relações Exteriores da Etiópia citou "ações hostis, diretas e indiretas, da Eritreia" e acusou os diplomatas expulsos de atividades que ameaçam a segurança nacional.

O Ministério das Relações Exteriores da Eritreia afirmou, conforme o CNBC Africa, que o país "não tem outra opção a não ser retribuir na mesma moeda e cortar todos os laços diplomáticos com a Etiópia, com todos os corolários negativos que isso implica". O ministro da Informação eritreu disse que a Etiópia mantinha uma agenda hostil havia três anos, segundo o Newscord.

Egito também entra na disputa

O CNBC Africa informa que a Etiópia declarou persona non grata também um diplomata egípcio, com prazo de 48 horas. O Egito respondeu na mesma medida contra um conselheiro da embaixada etíope.

Addis Abeba afirma que Eritreia, Sudão e Egito apoiam a aliança de oposição liderada pela TPLF (Frente de Libertação do Povo de Tigré). Os três países negam envolvimento.

Explosões em Addis Abeba

A escalada ocorreu depois de explosões na capital etíope durante a noite. Segundo o Newscord, a agência Reuters publicou que uma fonte ligada à aliança de oposição disse ter realizado vários ataques com drones em Addis Abeba. Conforme o CNBC Africa, fontes da oposição apontam alvos militares. O Newscord acrescenta que, desde o fim de setembro, há novos choques entre as forças federais etíopes e a TPLF.

Contexto histórico

A embaixada etíope em Asmara foi reaberta em 2018, no processo de reaproximação conduzido pelo primeiro-ministro Abiy Ahmed, que lhe rendeu o Nobel da Paz. Na guerra de 2020 a 2022, os exércitos dos dois países lutaram do mesmo lado contra a TPLF. O conflito deixou centenas de milhares de mortos; o Newscord fala em cerca de 600 mil.

Reação internacional

A Comissão da União Africana pediu "máxima contenção" e diálogo por canais diplomáticos, segundo o CNBC Africa.

O boletim Just Security, que resume o noticiário internacional desta sexta-feira (2/10), também lista o rompimento entre os dois países entre os principais fatos do dia, ao lado da guerra entre Rússia e Ucrânia e das tensões no Oriente Médio.

Os fatos acima são os confirmados pelas fontes citadas. As acusações de apoio externo à oposição etíope são negadas pelos países mencionados, e os ataques com drones foram atribuídos apenas a uma fonte da oposição, sem confirmação independente nos textos consultados.

Fontes consultadas nesta apuração

  • etiópia
  • eritreia
  • tigré
  • tplf
  • diplomacia
  • união africana
  • egito
  • abiy ahmed

Mais de Mundo