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Bolsas hoje (19/08): venda de ações de IA derruba a Ásia

O Kospi despencou 5,80% em Seul e o Nikkei recuou 3,16% em Tóquio, depois de Wall Street cair pelo terceiro pregão seguido. Petróleo em alta e juros longos elevados também pressionam o mercado.

Redação Apuramos

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Maxim Hopman/Unsplash — imagem ilustrativa
Maxim Hopman/Unsplash — imagem ilustrativa

Uma nova onda de vendas de ações ligadas à inteligência artificial derrubou as bolsas asiáticas nesta quarta-feira (19). O índice sul-coreano Kospi liderou as perdas, com queda de 5,80%, aos 6.471,17 pontos.

Segundo a agência Estadão Conteúdo, as duas maiores empresas sul-coreanas beneficiadas pelo boom de IA acompanharam a desvalorização das concorrentes americanas: a Samsung Electronics recuou 7,8% e a fabricante de chips de memória SK Hynix despencou 9,8%.

Em Tóquio, o Nikkei caiu 3,16%, aos 65.326,42 pontos, menor nível em duas semanas. Além da venda de papéis de tecnologia, pesou sobre o índice japonês a alta dos rendimentos dos títulos soberanos do país. O juro dos JGBs de 10 anos opera perto de uma máxima de três décadas, acima de 2,9%, diante da expectativa de que o Banco do Japão volte a elevar em breve sua taxa básica para conter a inflação.

Na China continental, o Xangai Composto caiu 2,40%, aos 3.894,42 pontos, e o Shenzhen Composto tombou 4,86%, aos 2.507,25 pontos.

O movimento contrastou com a estreia da Unitree, fabricante de robôs humanoides, no STAR Market, segmento da bolsa de Xangai voltado a empresas de tecnologia e semelhante à Nasdaq. As ações dispararam quase 630% no início do pregão, e a companhia levantou cerca de US$ 900 milhões em sua oferta pública inicial (IPO). Nem toda a robótica se salvou: a UBTech, outra grande fabricante chinesa de robôs humanoides, listada em Hong Kong, caiu 10,6%, de acordo com a Associated Press.

Nas demais praças asiáticas, o Taiex recuou 1,30% em Taiwan e o Hang Seng teve alta marginal de 0,09% em Hong Kong. Na Oceania, o australiano S&P/ASX 200 cedeu 0,18%.

O tombo asiático seguiu o terceiro pregão consecutivo de perdas em Nova York. Na terça-feira (18), o S&P 500 caiu 0,7%, o Dow Jones recuou 0,2% e o Nasdaq perdeu 1,3%, informou a Associated Press.

As maiores vencedoras do ciclo de IA lideraram as quedas: a Micron Technology cedeu 7%, a Nvidia caiu 2,3% e a Broadcom, 3,2%. O receio, segundo a agência americana, é de que os preços tenham subido demais e de que a forte demanda por memória, processadores e outros componentes de data centers perca força caso a IA se mostre menos lucrativa do que o prometido. Mesmo com as oscilações recentes, esses papéis seguem entre os melhores do ano: a Micron mais que triplicou de valor em 2026.

O conflito no Oriente Médio continua no pano de fundo. Os preços do petróleo oscilam com força diante da incerteza sobre quando, e se, Estados Unidos e Irã chegarão a um acordo que permita a livre saída de petroleiros do Golfo Pérsico. O Brent era negociado a US$ 91,30 por barril no fim da madrugada desta quarta; pouco antes do início da guerra, valia US$ 72,87.

A alta do petróleo empurra a inflação para cima e mantém os juros longos elevados. O rendimento do título americano de 10 anos estava em 4,70%, ante 3,97% antes do início do conflito com o Irã, segundo a AP. O papel de 30 anos segue perto do maior patamar desde 2007. Juros altos reduzem a disposição dos investidores a pagar caro por ações e já levaram a taxa média das hipotecas de longo prazo nos EUA para perto do maior nível em um ano.

Os investidores agora aguardam a ata da última reunião do Federal Reserve, divulgada nesta quarta. No início do mês, o banco central americano manteve a taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela quinta reunião seguida, decisão influenciada justamente pela alta do petróleo e pelo conflito no Oriente Médio, informou o Money Times.

Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 tinha baixa marginal de 0,08%, aos 651,36 pontos, por volta das 6h20 (horário de Brasília).

Fontes consultadas nesta apuração

  • bolsas
  • inteligência artificial
  • Kospi
  • Nikkei
  • Wall Street
  • mercados
  • petróleo
  • Fed

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