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Casas Bahia fecha 300 lojas, demite 3 mil e busca R$ 1 bi

Grupo declarou à Justiça dever R$ 754 milhões em direitos trabalhistas. Ao mesmo tempo, negocia um empréstimo de cerca de R$ 1 bilhão com Banco do Brasil e Bradesco para bancar a recuperação judicial.

Redação Apuramos

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Craig Whitehead/Unsplash — imagem ilustrativa
Craig Whitehead/Unsplash — imagem ilustrativa

O Grupo Casas Bahia fechou cerca de 300 lojas e desligou aproximadamente 3 mil funcionários ao longo de agosto, no maior enxugamento da rede desde o início da crise. Os cortes são o desdobramento mais visível do pedido de recuperação judicial protocolado em 16 de agosto na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, que reúne nove empresas do grupo e um passivo de R$ 17,3 bilhões. Esta matéria atualiza a publicada pelo Apuramos em 18 de agosto, quando o pedido foi apresentado.

Segundo o Jornal de Brasília, a companhia declarou à Justiça dever R$ 754 milhões em direitos trabalhistas. Em Brasília, unidades tradicionais como as do Conjunto Nacional e de Taguatinga amanheceram de portas trancadas no dia 14 de agosto. O patrimônio líquido do grupo está negativo em R$ 8,1 bilhões.

Enquanto corta custos, a varejista tenta destravar dinheiro novo. O NeoFeed apurou que a Casas Bahia negocia um DIP financing — o financiamento de devedor em posse, típico de processos de recuperação — de cerca de R$ 1 bilhão. Banco do Brasil e Bradesco, os dois maiores credores financeiros do grupo, são os principais interessados em entrar na operação, ao lado de fundos de investimento. Nada foi formalizado até agora.

Esse tipo de crédito só está disponível na via judicial: quem injeta recursos ganha superprioridade no recebimento, o que reduz o risco do empréstimo. Cerca de metade do valor iria para recompor estoques, hoje pressionados porque a empresa passou a pagar fornecedores à vista depois do pedido de recuperação.

A companhia também tenta liberar R$ 2 bilhões em depósitos judiciais — metade de natureza trabalhista — e parcelar dívidas tributárias com desconto, ainda segundo o NeoFeed. Os fechamentos se concentraram em lojas deficitárias instaladas em shoppings, com meta de economia de cerca de R$ 2 bilhões por ano.

Para a advogada trabalhista Lorena Paiva, do escritório Ferraz dos Passos, o fechamento repentino gera obrigação imediata de reparação. "A demissão imediata, sem o cumprimento de aviso prévio, obriga que o direito violado seja indenizado", disse ao Jornal de Brasília.

Ela lembra ainda que o Tema 638 do Supremo Tribunal Federal exige intervenção sindical prévia em dispensas coletivas. Se a empresa vier a falir, os trabalhadores têm prioridade no recebimento, mas o pagamento fica limitado a 150 salários mínimos por pessoa.

Professor de mercado financeiro da Universidade de Brasília (UnB), César Bergo aponta a taxa Selic, hoje em 15% ao ano, como fator central do aperto. "O capital de giro que ela necessita para fazer todo o movimento financeiro fica bastante caro", afirmou ao mesmo jornal.

A crise não começou agora. Em 2023, o chamado Plano de Transformação já havia resultado em cerca de 8.600 demissões e no fechamento de 55 lojas.

Restam mais de 20 mil empregados em mais de 700 lojas em funcionamento, e o plano da rede prevê continuar fechando unidades que não dão lucro. Em nota, a direção afirma que a recuperação judicial é um passo necessário para preservar a operação e que o atendimento segue nas lojas físicas e nos canais digitais.

A partir do deferimento do processamento, o grupo tem 60 dias para apresentar o plano de recuperação aos credores. Segundo fontes ouvidas pelo NeoFeed, a negociação mais dura não será com os fornecedores de mercadoria, e sim com os credores financeiros, com quem a rede busca reduzir o custo de capital.

Fontes consultadas nesta apuração

  • casas bahia
  • recuperação judicial
  • varejo
  • demissões
  • direitos trabalhistas
  • dip financing

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