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Casas Bahia pede recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bi

Pedido protocolado na noite de domingo envolve dez empresas do grupo, entre elas Ponto Frio, Extra.com e a fabricante de móveis Bartira. Companhia afirma que lojas e canais digitais seguem funcionando.

Redação Apuramos

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Tim Mossholder/Unsplash — imagem ilustrativa
Tim Mossholder/Unsplash — imagem ilustrativa

O Grupo Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo no fim da noite de domingo (16) e declarou dívidas de R$ 17,3 bilhões. Segundo o jornal O Tempo, com informações da Folhapress, o pedido engloba dez empresas da holding, entre elas as donas das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, o e-commerce Extra.com e a fabricante de móveis Bartira, além de subsidiárias de logística e tecnologia.

Do total declarado, R$ 16,4 bilhões são dívidas com credores quirografários — aqueles sem garantia —, R$ 754 milhões com credores trabalhistas e R$ 154 milhões com microempresas e empresas de pequeno porte.

Na própria petição, o grupo informa a demissão de cerca de 3.000 funcionários, de um quadro de 30.117 colaboradores, e o fechamento de quase 300 lojas. Hoje a rede Casas Bahia tem mais de 700 pontos físicos, e o Ponto Frio, mais de 65.

Em comunicado divulgado na manhã desta segunda-feira (17), a companhia afirmou que a medida não paralisa as vendas. "O pedido de recuperação judicial não interrompe a operação do Grupo Casas Bahia. Seguiremos atuando em seus canais físicos e digitais, atendendo clientes e trabalhando com fornecedores", diz o texto, publicado pelo site Mercado&Consumo.

Ainda segundo o Mercado&Consumo, o CEO do grupo, Renato Franklin, afirmou que o esforço de redução do endividamento dos últimos anos não foi suficiente. "Precisamos reconhecer que essa evolução, embora crucial, não foi suficiente diante de um cenário de crédito mais restritivo, juros elevados e consumo pressionado", disse o executivo.

Prejuízo de R$ 10,1 bilhões no trimestre

O pedido veio um dia depois de a varejista anunciar prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre, ante perda de R$ 555 milhões em igual período do ano passado — o oitavo trimestre seguido no vermelho. Com o resultado, o patrimônio líquido ficou negativo em R$ 8,1 bilhões, enquanto o valor de mercado da empresa na B3 é de R$ 660 milhões.

A companhia pondera que R$ 9,1 bilhões do prejuízo vêm de efeitos contábeis não recorrentes, sem impacto no caixa, ligados sobretudo ao redimensionamento da operação. Só a baixa de imposto de renda diferido respondeu por R$ 5,7 bilhões. No mesmo período, a receita líquida subiu 1,6%, para R$ 7 bilhões, e o fluxo de caixa livre somou R$ 800 milhões, contra R$ 173 milhões um ano antes.

Juros na mínima, depois na máxima

Na petição, a Casas Bahia atribui a crise aos investimentos pesados em tecnologia, logística e canais digitais iniciados em 2019, somados aos choques da pandemia, que paralisaram as lojas físicas. O plano de digitalização foi desenhado quando a Selic estava na mínima histórica de 2% ao ano, entre o fim de 2020 e o início de 2021; o salto da taxa até o patamar de 15% ao ano, afirma a empresa, desorganizou sua estrutura financeira.

O modelo da rede depende fortemente de capital de giro, financiamento de estoques, risco sacado com fornecedores e crédito direto ao consumidor. Com juros e inflação em alta, o crédito encareceu, a renda das famílias de menor poder aquisitivo foi comprimida e a inadimplência nos carnês e cartões avançou, diz o documento.

A varejista também pediu medidas de urgência para evitar a paralisação imediata das operações. A maior preocupação é o vencimento antecipado de mais de R$ 10 bilhões em contratos financeiros e comerciais: se os bancos retiverem as garantias de cartão de crédito e Pix, até 60% da entrada mensal de caixa seria drenada. O grupo pede a suspensão de execuções por 180 dias, a manutenção do fluxo regular de recebíveis e a liberação de mais de R$ 750 milhões em depósitos judiciais trabalhistas.

O pedido ocorre cerca de dois anos depois de a companhia homologar uma recuperação extrajudicial que reestruturou R$ 4,8 bilhões em dívidas financeiras, em abril de 2024, e da qual saiu três meses depois. A Casas Bahia não é mais controlada pela família Klein: a gestora Mapa Capital assumiu 85,5% do capital em agosto do ano passado.

O varejo de móveis e eletrodomésticos teve outro caso nesta segunda-feira. As Lojas Marabraz, tradicional rede paulista fundada em 1950, também protocolaram pedido de recuperação judicial, com passivo de cerca de R$ 140 milhões, segundo o portal Mercado Hoje.

Fontes consultadas nesta apuração

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  • recuperação judicial
  • varejo
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  • dívida
  • economia

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