O dólar fechou em queda de 0,93% nesta sexta-feira (21), cotado a R$ 5,1451 — o menor valor de fechamento desde 10 de agosto. A moeda acelerou a baixa ao longo da tarde, furou o piso de R$ 5,15 e chegou à mínima de R$ 5,1330, segundo dados da Broadcast publicados pelo Jornal do Comércio.
O real teve o melhor desempenho do dia entre as moedas mais líquidas do mundo. Ainda assim, o alívio não apagou o saldo dos últimos pregões: o dólar acumulou alta de 1,21% na semana e sobe 1,47% em agosto, de acordo com o mesmo levantamento.
O principal motor do movimento veio de fora. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, operou abaixo dos 99.000 pontos, no menor nível desde maio, e encerrou a semana com queda de cerca de 0,80%.
Pesou sobre a moeda americana a decisão do Tesouro dos EUA, anunciada na quarta-feira (19), de dobrar as recompras de títulos de longo prazo para conter os juros dos papéis. Segundo o InfoMoney, com informações da Reuters e da CNBC, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou na quinta que as recompras podem ser ampliadas ainda mais.
"Vemos os desdobramentos desta semana menos como uma história de credibilidade e mais como uma história de dólar fraco e apetite por risco", disse o chefe de estratégia global de câmbio do banco ING, Chris Turner, em análise reproduzida pelo Jornal do Comércio.
A redução das tensões no Oriente Médio e a acomodação dos preços do petróleo também favoreceram ativos de risco. O barril de Brent para outubro rondou os US$ 94 nesta sexta, praticamente estável no dia, mas ainda com ganho superior a 5% na semana.
No cenário doméstico, o câmbio reagiu à expectativa pela nova rodada de pesquisas eleitorais — em especial o Datafolha, com divulgação prevista ainda para esta sexta-feira. Entre investidores, prevalece a leitura de que uma corrida presidencial mais acirrada tende a beneficiar o real.
"Há uma expectativa de que as próximas pesquisas mostrem um desgaste do presidente Lula por conta das denúncias de corrupção contra o filho dele", afirmou ao Jornal do Comércio o estrategista-chefe da Sincra, Gustavo Cruz, em referência às investigações da Polícia Federal sobre Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, por suspeita de tráfico de influência.
O operador sênior Fernando Cesar, da AGK Corretora, destacou o papel do fluxo externo: "O dólar cai no exterior desde cedo, com o DXY na menor cotação em meses, em um dia mais favorável ao risco. Provavelmente entrou dinheiro estrangeiro para ativos locais", afirmou, lembrando que o Ibovespa voltou a superar os 170 mil pontos.
No radar, segue o risco de alta de juros nos Estados Unidos. A ata da última reunião do Federal Reserve, divulgada na quarta, mostrou que vários dirigentes estão inclinados a apertar a política monetária diante da escalada recente do petróleo — fator que pode limitar novas quedas do dólar ante moedas emergentes.