A epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RD Congo) chegou a 5.290 casos confirmados e 2.516 mortes, segundo o balanço mais recente divulgado pelo governo congolês e compilado pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC). Os números, referentes a dados até 19 de agosto, confirmam o surto como o mais letal já registrado no país.
Segundo o ECDC, que atualiza o monitoramento em todos os dias úteis, o balanço divulgado em 20 de agosto representa alta de 81 casos confirmados e 40 mortes em relação ao relatório do dia anterior. Há 837 pacientes hospitalizados em isolamento e 1.152 pessoas já se recuperaram da doença.
Os 81 novos casos vieram de três províncias: Ituri (56), Kivu do Norte (18) e Alto Uele (7). Ituri segue como epicentro, com 4.447 casos e 1.984 mortes espalhados por 28 das 36 zonas de saúde da província. Em Kivu do Norte, são 663 casos e 452 mortes.
Ao todo, seis províncias congolesas registram casos. Além de Ituri e Kivu do Norte, aparecem Alto Uele (160 casos e 71 mortes), Tshopo (15 casos e 7 mortes), Kivu do Sul (3 casos e 1 morte) e Baixo Uele (2 casos e 1 morte). São 56 das 151 zonas de saúde afetadas.
Pior epidemia da história do país
A ONU News informou em 17 de agosto que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o quadro como a "pior epidemia de ebola da história recente" do país. Na ocasião, os números oficiais eram de 4.945 casos e 2.325 mortes, já acima dos 2.299 óbitos da epidemia de 2018-2020, até então a mais fatal enfrentada pela RD Congo.
Este é o 17º surto de ebola registrado no país. A OMS declarou emergência de saúde pública de importância internacional em 17 de maio de 2026, segundo o ECDC. É o grau máximo de alerta previsto no Regulamento Sanitário Internacional.
Um agravante é o tipo de vírus em circulação. Trata-se da espécie Bundibugyo, para a qual não existe vacina licenciada nem tratamento específico aprovado, ao contrário do ebola Zaire, alvo dos imunizantes usados em surtos anteriores.
Serviços de saúde em colapso
De acordo com a ONU News, o número de novas infecções chega a dobrar a cada semana nas regiões mais atingidas, num ritmo que supera a capacidade de resposta das equipes em campo.
Representante da OMS na RD Congo, Anne Ancia afirmou à ONU News que a dispersão geográfica é o principal desafio. "A disseminação no início era em Ituri e Kivu de Norte, e agora já passou para outras províncias", disse. Ela citou ainda a dificuldade de acesso a zonas com problemas de segurança.
O impacto vai além dos diagnósticos de ebola. Ainda segundo a ONU News, o medo do contágio afastou a população dos centros de saúde: as taxas de vacinação infantil e de partos hospitalares caíram mais de 40% em Ituri e em outras regiões, sobrecarregando o sistema.
Casos exportados e risco na Europa
O surto já gerou casos fora da África. O ECDC registra um paciente norte-americano evacuado para tratamento na Alemanha em maio, um caso confirmado na França em 24 de junho (um médico humanitário que voltava da região) e um segundo americano que testou positivo em julho e foi transferido para a Alemanha no dia 13 daquele mês.
Mesmo assim, a agência europeia avalia que a probabilidade de infecção para quem vive na União Europeia é "muito baixa". O próximo boletim epidemiológico do ECDC está previsto para 24 de agosto.