A OpenAI lançou nesta quinta-feira (3) o GPT-6 Astra, novo modelo do ChatGPT que a empresa descreve como o mais inteligente e mais alinhado já produzido pela companhia. O anúncio veio acompanhado de um alerta incomum: é o primeiro modelo da casa a atingir o nível "crítico" de risco cibernético no sistema interno de avaliação da empresa.
Segundo a Exame, a OpenAI afirma que o Astra representa "um salto de geração em capacidade", com desempenho de ponta em uso de computador e navegador, engenharia de software, cibersegurança, ciência e atividades profissionais. O resultado, diz a empresa, vem da combinação de avanços em pré-treinamento, aprendizado por reforço e alinhamento.
O foco do lançamento é o uso autônomo do computador. O modelo é apresentado como capaz de executar fluxos de trabalho com várias etapas, produzir documentos, planilhas e apresentações, além de criar sites e testar se os recursos funcionam de fato.
Em simulações no subconjunto offline do benchmark OSWorld 2.0, o Astra levou cerca de 47% menos tempo por tarefa do que o GPT-5.6 Sol, versão anterior da empresa. De acordo com o TI INSIDE, o modelo também consegue preencher formulários on-line, atualizar registros em sistemas de CRM, organizar calendários e fazer pesquisas na internet.
Nos testes de raciocínio, a OpenAI diz que o Astra acertou 98% do FrontierMath Tier 4, um dos benchmarks mais difíceis voltados à matemática avançada. No mês passado, a companhia havia divulgado dez avanços em matemática e ciência da computação teórica gerados por uma versão interna do modelo, com provas formalizadas na linguagem Lean.
Em programação, o Astra supera o GPT-5.6 Sol no benchmark DeepSWE v1.1 com custo estimado de uso via API cerca de 57% menor, considerando a configuração de melhor desempenho de cada modelo. Um recurso experimental e opcional do Codex, ferramenta de programação da OpenAI, permite ainda que o modelo preserve anotações, requisitos e resultados de testes anteriores entre diferentes janelas de contexto em projetos longos.
O ponto mais sensível do anúncio, porém, é a classificação de risco. A OpenAI informou que o Astra cruzou o limite "crítico" de capacidade cibernética dentro do Preparedness Framework, o sistema interno que a empresa usa para rastrear habilidades de IA capazes de representar risco de dano severo. São capacidades que podem ajudar profissionais de segurança a identificar e corrigir vulnerabilidades — e que, pelo mesmo motivo, exigem salvaguardas mais fortes.
Como resposta, a companhia diz ter reforçado as proteções contra uso indevido e passou a oferecer, por meio do programa OpenAI Daybreak, acesso com menos restrições a um grupo inicial de profissionais de segurança previamente autorizados, voltado a atividades como validação de vulnerabilidades, análise de malware e engenharia de detecção de ameaças. A CNBC também destacou o componente cibernético como o eixo do lançamento.
O GPT-6 Astra começou a ser liberado para clientes corporativos (Enterprise) com acesso ao Daybreak. Nos próximos dias, segundo a OpenAI, o modelo chega aos usuários dos planos ChatGPT Plus, Pro, Business e Enterprise, além de ficar disponível na API da empresa e na AWS. O TI INSIDE informa que a distribuição inclui ainda AWS Bedrock e Microsoft Azure.
O lançamento aconteceu no mesmo dia em que o ChatGPT enfrentou instabilidade. Ainda pela manhã, mais de 9,6 mil pessoas relataram falhas nos serviços da OpenAI no site Downdetector, conforme a Exame. Em sua página oficial de status, a empresa informou ter aplicado uma medida de mitigação, a partir das 11h58, para conter uma alta taxa de erros que atingia o ChatGPT e a plataforma de desenvolvimento Codex. Foi a segunda instabilidade da semana: a plataforma também ficou fora do ar na segunda-feira (31).