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Greve dos bancários: paralisação nacional de 24h na quinta (20)

Categoria rejeitou a proposta da Fenaban por 97% dos votos e aprovou greve de 24 horas. A oitava rodada de negociação começou nesta terça (18) e pode definir se a paralisação será mantida.

Redação Apuramos

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Oren Elbaz/Unsplash — imagem ilustrativa
Oren Elbaz/Unsplash — imagem ilustrativa

Os bancários de todo o Brasil devem cruzar os braços por 24 horas nesta quinta-feira (20). A paralisação nacional foi aprovada em assembleias realizadas na segunda-feira (17), depois que a categoria rejeitou a proposta apresentada pela Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) na Campanha Nacional Unificada de 2026.

Segundo o InfoMoney, a proposta patronal foi rejeitada por 97% dos votantes em todo o país, e a paralisação de 24 horas foi aprovada por 90%. Em São Paulo, Osasco e região, a rejeição chegou a 97,66% e a greve teve 89,34% dos votos, informou o Sindicato dos Bancários de São Paulo.

O impasse está no reajuste salarial. De acordo com o InfoMoney, na sétima rodada de negociação, em 13 de agosto, os bancos não apresentaram índice de reajuste. Em vez disso, propuseram um modelo diferenciado por três faixas salariais — sem informar quais seriam os parâmetros nem os percentuais de cada faixa — e o congelamento do piso de ingresso para os novos contratados.

Na mesma rodada, a Fenaban chegou a propor a redução dos vales-refeição e alimentação em cidades do interior e ameaçou acionar o Tribunal Superior do Trabalho para validar o corte. A proposta foi retirada em seguida, mas o congelamento do piso e os reajustes por faixa permaneceram na mesa.

"Não aceitaremos retirada de direitos. Vamos defender a minuta aprovada pelos bancários e bancárias, por aumento real, valorização nos pisos, tíquetes, PLR e criação de um piso para os trabalhadores de TI", afirmou a coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira, ao fim daquela rodada, em declaração publicada pelo InfoMoney.

A oitava negociação entre o Comando Nacional e a Fenaban começou na manhã desta terça-feira (18). Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, os representantes dos trabalhadores abriram a reunião apresentando o resultado das assembleias e reafirmando a minuta de reivindicações. A Fenaban pediu uma pausa na negociação. O setor aguarda o desfecho da rodada para saber se a greve de quinta-feira será mantida.

"A categoria não aceitará propostas sem avanços concretos em temas essenciais, como reajuste salarial, com aumento real; valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR); e recomposição dos vales refeição e alimentação", disse a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro.

Além do reajuste, a pauta da categoria inclui a criação de um piso salarial específico para trabalhadores de TI, o fim das metas abusivas e do monitoramento permanente, mais contratações para reduzir filas e sobrecarga de trabalho e igualdade de oportunidades para mulheres, negros, indígenas, pessoas com deficiência e LGBTQIA+, conforme reportagem do ND Mais.

O portal catarinense também reuniu os números que sustentam a argumentação sindical. Segundo a Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), o patrimônio líquido do setor bancário alcançou R$ 1,2 trilhão em 2025. No mesmo período, entre 2015 e 2025, os bancos fecharam 88 mil postos de trabalho e 9,5 mil agências.

A entidade estima ainda que a remuneração média anual dos altos executivos dos três maiores bancos privados chegue a R$ 12,5 milhões em 2026 — cerca de 120 vezes o que recebe um escriturário por ano. O lucro por empregado teria alcançado R$ 438 mil.

Sobre os benefícios, a Contraf calcula perda real de 13% no vale-alimentação entre 2019 e 2025 e queda de 3,7% no vale-refeição entre 2023 e 2025. Para recompor o poder de compra de 2019, o vale-alimentação mensal precisaria subir de R$ 924,47 para R$ 1.293,73, um reajuste de cerca de 40%.

Procurada pelo ND Mais para comentar a possibilidade de paralisação e o andamento das negociações, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) não havia se manifestado até a publicação da reportagem.

Se confirmada, a paralisação de quinta-feira (20) deve afetar o atendimento presencial nas agências em todo o país. A campanha salarial de 2026 começou em 24 de junho, quando o Comando Nacional entregou a pauta de reivindicações à Fenaban e teve início a primeira mesa de negociação.

Fontes consultadas nesta apuração

  • greve dos bancários
  • bancários
  • Fenaban
  • Contraf
  • campanha salarial
  • bancos
  • economia

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