O Ibovespa reagiu nesta quarta-feira (19) e operou em forte alta ao longo do dia, tentando romper a pior sequência de perdas da Bolsa brasileira desde 2023. O principal índice da B3 chegou a avançar mais de 2%, enquanto o dólar comercial recuou para a casa dos R$ 5,17.
Por volta das 11h20, o Ibovespa subia 2,09%, aos 169.816 pontos, segundo o Correio Braziliense. Já às 12h40, de acordo com a Suno Notícias, a alta era de 1,23%, aos 168.332,56 pontos — depois de o indicador ter tocado ganho superior a 2% na máxima do dia.
O movimento veio após 11 pregões consecutivos de queda, período em que o índice acumulou perda de 6,55%. É a maior sequência de baixas diárias seguidas desde 2023. Na terça-feira (18), o Ibovespa havia recuado 0,27%, aos 166.335 pontos.
Boa parte do alívio veio de fora. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou que vai dobrar o volume das operações de recompra de títulos públicos de longo prazo — papéis com vencimento entre 10 e 20 anos e entre 20 e 30 anos —, medida destinada a reforçar a liquidez do mercado americano, informou a Suno Notícias.
Na prática, a operação aumenta a demanda pelos títulos do Tesouro americano e abre espaço para o retorno de capital estrangeiro a ativos considerados de maior risco, incluindo a bolsa brasileira. O iShares MSCI Brazil (EWZ), fundo de índice negociado em Nova York que replica o desempenho do mercado acionário do Brasil, operava com alta superior a 2% desde a abertura do pregão nos Estados Unidos.
Ao Correio Braziliense, a estrategista de ações da Nomad, Rebecca Nossig, afirmou que a alta representa um movimento de recuperação impulsionado pelas líderes do mercado e pelo alívio na confiança dos investidores após a sequência de perdas. “O Ibovespa opera com otimismo, registrando uma expressiva alta, impulsionado pelas blue chips, e trazendo um alívio imenso para o mercado acionário brasileiro”, disse.
A valorização do petróleo Brent no mercado internacional também ajudou, beneficiando ações do setor, como as da Petrobras (PETR4), que estavam entre os papéis mais negociados do dia.
A sequência de quedas anterior foi marcada pela saída de capital estrangeiro da B3, em meio a incertezas relacionadas ao cenário eleitoral, às expectativas para os juros e ao quadro geopolítico internacional. Até a última sexta-feira, o fluxo de investidores estrangeiros no mês de agosto estava negativo em R$ 18,1 bilhões, segundo a Suno Notícias. Nesta quarta, o volume financeiro negociado somava R$ 5,12 bilhões por volta das 12h40.
Entre as maiores altas do índice naquele horário apareciam Braskem (BRKM5), com valorização de 8,53%, a R$ 5,47, e MBRF (MBRF3), que subia 7,65%, a R$ 17,31. Também figuravam entre os destaques positivos Grupo Casas Bahia (BHIA3), com ganho de 4,88%, Raia Drogasil (RADL3), com alta de 4,32%, a R$ 17,85, e PetroRecôncavo (RECV3), com 4,13%, a R$ 10,59.
Na ponta negativa, as maiores baixas eram de Santander Brasil (SANB11), com queda de 1,91%, a R$ 28,69, Magazine Luiza (MGLU3), com recuo de 1,87%, a R$ 4,20, e Hapvida (HAPV3), que caía 1,47%, a R$ 6,68.
No câmbio, o dólar comercial abriu a sessão em queda de 0,79%, cotado a R$ 5,17, e por volta das 12h40 caía 1,02%, a R$ 5,168. Na terça-feira, a moeda havia encerrado o pregão com recuo de 0,40%, a R$ 5,22.
No exterior, o dia foi de atenção à ata da última reunião do Federal Reserve. No início de agosto, o banco central americano manteve a taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela quinta reunião seguida, decisão influenciada pela alta do petróleo e pelo conflito no Oriente Médio, conforme o Money Times.
Na Ásia, o pregão foi negativo. O sul-coreano Kospi despencou 5,80%, aos 6.471,17 pontos, com Samsung Electronics em queda de 7,8% e SK Hynix em baixa de 9,8%, em nova onda de aversão a ações ligadas à inteligência artificial. Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 tinha baixa marginal de 0,08%, aos 651,36 pontos, por volta das 6h20 (horário de Brasília).