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Morre Gloria Steinem, ícone do feminismo dos EUA, aos 92 anos

A fundação da jornalista e ativista confirmou a morte nesta quinta-feira (3). Cofundadora da revista Ms., ela liderou o feminismo americano por mais de cinco décadas.

Redação Apuramos

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Gayatri Malhotra/Unsplash — imagem ilustrativa
Gayatri Malhotra/Unsplash — imagem ilustrativa

A jornalista, escritora e ativista Gloria Steinem, uma das principais vozes do feminismo americano do último meio século, morreu aos 92 anos. A morte ocorreu na quarta-feira (2), na casa dela em Nova York, e foi divulgada nesta quinta-feira (3) pela fundação que leva seu nome, em publicação no Instagram.

Segundo a CNN Brasil, a fundação não informou a causa da morte. "Gloria Steinem faleceu serenamente em sua casa na cidade de Nova York, cercada por alguns dos muitos que a amavam", diz a publicação. "Os quase cem anos de vida de Gloria foram bem vividos, e ela continuou lutando pela igualdade até o fim."

O Jornal do Comércio, com informações de agências, confirmou a data e a idade e lembrou que Steinem começou a carreira como jornalista, ganhando notoriedade com reportagens investigativas.

Steinem nasceu em 25 de março de 1934, em Toledo, Ohio. Formou-se no Smith College e passou a trabalhar como jornalista freelancer.

Em 1963, empregou-se por 11 dias como coelhinha da Playboy para uma reportagem da revista Show. O resultado, publicado em duas partes sob o título "A Bunny's Tale", expôs os baixos salários e o tratamento sexista enfrentados pelas funcionárias das casas noturnas da marca. A investigação virou filme para a televisão em 1985, estrelado por Kirstie Alley.

Em 1968, Steinem ajudou a fundar a revista New York. Foi ali que publicou o ensaio "After Black Power, Women's Liberation", texto que a consolidou como liderança feminista em um período de transformações sociais intensas.

Três anos depois, em 1971, cofundou a revista Ms., que tratava de aborto, sexismo, igualdade salarial e violência doméstica — pautas então ausentes das publicações femininas, voltadas a beleza e vida doméstica. Uma das primeiras edições trouxe os nomes de 52 mulheres, incluindo a própria Steinem, que haviam feito abortos, em campanha pela legalização anterior à decisão Roe v. Wade, de 1973.

Ainda em 1971, ela criou o National Women's Political Caucus ao lado das ex-deputadas Bella Abzug e Shirley Chisholm e da escritora Betty Friedan, autora de "A Mística Feminina". Steinem também fundou a Coalition of Labor Union Women, o Women's Media Center, o Voters for Choice e a Ms. Foundation for Women.

Em 2013, o então presidente Barack Obama concedeu a Steinem a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta honraria civil dos Estados Unidos.

A trajetória dela virou o filme "As Glórias" (2020), dirigido por Julie Taymor e baseado na autobiografia "My Life on the Road", de 2015. Steinem também foi tema da peça "Gloria: A Life" (2018) e do documentário da HBO "Gloria: In Her Own Words" (2011).

Ela dizia se considerar uma "empreendedora da mudança social" e defendia um feminismo que incluísse mulheres de todas as raças. "Aprendi muito sobre feminismo com mulheres negras. As mulheres de cor basicamente inventaram o feminismo", afirmou em entrevista à revista New Yorker.

Crítica das limitações do casamento, Steinem não teve filhos e só se casou aos 66 anos, com o empresário e ambientalista sul-africano David Bale, pai do ator Christian Bale. Ele morreu de câncer no cérebro em 2003.

"As mulheres não serão iguais fora de casa até que os homens sejam iguais dentro dela", disse ela, em uma de suas frases mais repetidas.

Steinem seguiu trabalhando depois dos 80 anos e manteve atuação em causas progressistas, incluindo o ativismo antibélico, mesmo após completar 90.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Gloria Steinem
  • feminismo
  • Estados Unidos
  • obituário
  • direitos das mulheres
  • revista Ms.

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