A atriz Laura Cardoso, uma das maiores referências da teledramaturgia brasileira, morreu aos 98 anos. A informação foi divulgada na madrugada desta terça-feira (18) em uma publicação nas redes sociais da própria artista.
"Nossa grande estrela se despediu de nós. Laura Cardoso estará para sempre em nossos corações", diz o texto publicado no Instagram da atriz. "Obrigada por tudo, nossa amada e eterna Laura Cardoso", conclui a mensagem.
Segundo a CNN Brasil, o velório acontece nesta terça-feira (18), na Funeral Home, no bairro da Bela Vista, em São Paulo, das 8h às 14h. É o mesmo bairro onde ela nasceu, em 13 de setembro de 1927, batizada como Laurinda de Jesus Cardoso Baleroni.
Da radionovela à Dama da TV
A carreira começou ainda na adolescência, quando Laura passou em um teste para uma radionovela na Rádio Cosmos. Também trabalhou na Rádio Tupi e na Rádio Difusora — onde conheceu o ator e diretor Fernando Baleroni, com quem foi casada por 30 anos, até a morte dele, em novembro de 1980. O casal teve duas filhas, Fátima e Fernanda.
Na época, a escolha profissional enfrentava preconceito. "Naquele tempo, a mulher que era de teatro, rádio, circo era considerada prostituta. Mas nunca liguei para isso", relembrou a atriz em entrevista à revista Quem, em 2012, resgatada pela CNN Brasil. Foi também por causa da carreira que ela abandonou o nome de batismo.
A estreia na televisão veio em 1952, no programa "Tribunal do Coração", da então recente TV Tupi. Foi ali que atuou em teleteatros e nas primeiras novelas, em duas passagens pela emissora, intercaladas por trabalhos na TV Record. Com o fim da Tupi, foi contratada pela Rede Globo, onde estreou com "Brilhante" (1981) e construiu a maior parte da obra.
Matriarcas que marcaram gerações
Laura Cardoso ficou conhecida por viver matriarcas e mulheres complexas. Foi a mãe que defendia a filha mau-caráter em "Mulheres de Areia" (1993), a viúva que escondia um segredo em "Caminho das Índias" e a ex-prostituta defensora da moral e dos bons costumes em "Gabriela" (2012).
A lista inclui ainda "Fera Radical", "Rainha da Sucata" (1990), "A Viagem" (1994), "Explode Coração" (1995) e "Chocolate com Pimenta" (2003), além de séries como "Hoje É Dia de Maria" (2005), "A Diarista", "Sob Nova Direção" e "A Grande Família".
Somando televisão, teatro e cinema, foram pelo menos 120 produções, segundo levantamento da CNN Brasil. No currículo, cinco prêmios Grande Otelo e dois prêmios Shell de teatro — em 1990, por "Vem Buscar-me que Ainda sou Teu", e em 1993, por "Vereda da Salvação". Nas telonas, passou de 30 filmes, entre eles "Terra Estrangeira", "Através da Janela" (2000) e "O Outro Lado da Rua" (2004).
Nunca pensei em parar
Afastada das grandes produções desde 2020, Laura seguia trabalhando. Em 2025, protagonizou o curta-metragem "Dona Rosinha". A última peça de teatro foi "A Última Sessão", em cartaz entre 2014 e 2015.
Aposentadoria era assunto que ela recusava. "Nunca pensei em parar. Só depois da morte", disse à revista Quem em 2012. Cinco anos depois, ao jornal Extra, resumiu: "Acho que, se você parar, morre alguma coisa por dentro. Trabalho é vida, faz a cabeça e o corpo funcionarem, o coração pulsar forte".
Em depoimento gravado em 2017, ao ser homenageada pelos 65 anos de TV, ela fez o próprio balanço: "Como gente, também fui humana: errei, acertei, caí, levantei. E olha, eu acho que minha vida foi legal. Acho que valeu".