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Conselho do MPF vota se investiga Gonet no caso Master

Relator rejeitou pedido de abertura de inquérito contra o procurador-geral após mensagens de Vorcaro sugerirem proximidade com Gonet; sessão desta sexta (25) ainda não foi concluída.

Redação Apuramos

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Ramon Buçard/Unsplash — imagem ilustrativa
Ramon Buçard/Unsplash — imagem ilustrativa

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) se reúne desde a manhã desta sexta-feira (25) para decidir se abre uma investigação contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, por causa de sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Até o início da tarde, os dois primeiros votos registrados foram contrários à abertura do inquérito.

A sessão começou às 10h e foi motivada por uma representação apresentada por parlamentares do partido Novo, depois que a Polícia Federal extraiu do celular de Vorcaro mensagens que indicam contato entre o banqueiro e o chefe do Ministério Público Federal. Segundo a CNN Brasil, o colegiado avalia se há elementos suficientes para designar um subprocurador-geral para apurar eventual prática criminosa por parte do PGR.

O relator do caso, Francisco Sanseverino, votou para rejeitar o pedido. Segundo o Capital Rondônia, ele argumentou que "o fato de o procurador-geral não ter trocado mensagens diretas com o banqueiro Daniel Vorcaro enfraquece a tese de amizade íntima entre os dois". A subprocuradora-geral Janice Agostinho Barreto Ascari também votou contra a abertura de investigação, mas ponderou que também não há, por ora, elementos suficientes para arquivar o caso. Os demais integrantes do colegiado ainda vão votar, em ordem inversa de antiguidade — por isso o resultado final da sessão segue em aberto.

O caso tem como pano de fundo o relatório da Polícia Federal sobre o colapso do Banco Master, hoje sob intervenção do Banco Central. Segundo o Poder360, as mensagens obtidas mostram que o advogado Ciro Soares, que defendeu o banco, atuou como intermediário entre Gonet e Vorcaro: em março de 2025, Soares enviou a Vorcaro uma selfie tirada com o procurador-geral e escreveu "liga aqui, ele quer falar com você". Quatro ligações entre os dois ocorreram nos dez minutos seguintes.

Outras mensagens citadas no relatório mostram Soares repassando a Vorcaro comentários atribuídos a Gonet sobre um evento em Londres, incluindo a expectativa de "charuto e Macallan" no encontro, e um pedido para que o banqueiro custeasse despesas de viagem do filho do procurador-geral — ao que Vorcaro teria respondido "óbvio, né". Uma fotografia de abril de 2024 mostra os dois juntos em Londres, com Gonet segurando um charuto.

Procurado, Gonet negou proximidade com o banqueiro. "Não existe, nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro... foi com várias autoridades em abril de 2024", afirmou, segundo a CNN Brasil. Ele se declarou "juridicamente plenamente apto" para continuar atuando nos procedimentos que envolvem o Banco Master.

O colegiado tem três desfechos possíveis: arquivar a representação por falta de elementos, designar um subprocurador para investigar Gonet, ou manter o caso em aberto para mais diligências. A reportagem da CNN Brasil destaca que a simples designação de um investigador não representaria o afastamento automático do procurador-geral dos casos ligados ao Master — decisão que, segundo os próprios conselheiros que já votaram, caberia ao Supremo Tribunal Federal, e não ao Conselho do MPF.

O caso Banco Master é hoje uma das maiores crises do sistema financeiro sob intervenção do Banco Central, e a proximidade de autoridades com Vorcaro tem sido investigada em diferentes frentes, incluindo o STF. Novos desdobramentos da sessão desta sexta-feira devem ser informados pelo MPF ao longo do dia.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Paulo Gonet
  • MPF
  • Daniel Vorcaro
  • Banco Master
  • PGR

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