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Operação Narciso: PCDF prende 43 por anabolizantes adulterados

Polícia Civil do DF diz ter desarticulado rede que fabricava hormônios em casas e depósitos improvisados e usava influenciadores, personal trainers e nutricionistas para vender; Justiça bloqueou R$ 32 milhões

Redação Apuramos

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Operação Narciso: PCDF prende 43 por anabolizantes adulterados
Julia Taubitz/Unsplash — imagem ilustrativa

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou na manhã desta quarta-feira (12) a Operação Narciso, contra uma organização criminosa acusada de fabricar anabolizantes de forma clandestina e distribuir substâncias controladas e termogênicos adulterados em vários estados. A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 32 milhões em contas e empresas ligadas aos investigados, além do fechamento de 13 estabelecimentos comerciais e laboratórios de manipulação e da retirada do ar de 22 perfis em redes sociais usados para anunciar os produtos.

Os números da ação variam entre os veículos. A CNN Brasil informou que estão sendo cumpridos 43 mandados de prisão e 64 mandados de busca e apreensão. O Correio Braziliense e o jornal O Tempo relataram 45 mandados de prisão expedidos e 50 de busca e apreensão; o Correio registrou 43 pessoas presas até a manhã. Sobre os veículos apreendidos, o Correio Braziliense fala em 11 automóveis de luxo sequestrados, enquanto a CNN Brasil menciona 25. O Tempo cita R$ 32,7 milhões bloqueados, valor ligeiramente superior ao informado pelos outros dois jornais.

A operação é conduzida pela Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf), da PCDF.

Como funcionava o esquema, segundo a polícia

Os investigadores apuraram que o grupo produzia substâncias hormonais, diuréticos e estimulantes em residências e depósitos improvisados, sem qualquer controle de esterilidade, pureza ou segurança sanitária.

Para dar aparência de legitimidade aos produtos, as embalagens traziam nomes em língua estrangeira e bandeiras de outros países, simulando importações de laboratórios que não existem ou copiando marcas já consolidadas no mercado. Segundo a CNN Brasil, uma gráfica imprimia rótulos sob encomenda e apagava os arquivos das máquinas para dificultar o rastreamento do material.

A polícia descreve uma cadeia com profissionais de várias áreas: designers, que criavam a identidade visual das marcas clandestinas; influenciadores digitais, encarregados da divulgação; nutricionistas e treinadores, principalmente personal trainers, que recomendavam o consumo; e médicos veterinários, que emitiam receitas falsas para viabilizar a compra de medicamentos de uso controlado em lojas agropecuárias.

Onde a rede atuava

O Distrito Federal concentrava as bases de fabricação e estocagem, as academias usadas na divulgação e a gráfica das embalagens. Em Goiás, a polícia mirou depósitos de insumos na divisa com o DF, uma farmácia de manipulação e a movimentação financeira do grupo.

Na Paraíba, em João Pessoa, os investigadores identificaram um laboratório filial operado a partir de uma mansão alugada e da residência à beira-mar de um dos apontados líderes. No Paraná, as diligências se concentraram em Foz do Iguaçu, de onde uma fornecedora de fronteira e o cônjuge coordenariam o abastecimento interestadual. A rede se estendia ainda a Rio Branco (AC) e Uberlândia (MG).

O caminho do dinheiro

De acordo com a CNN Brasil, a investigação apontou lavagem de dinheiro em várias etapas. O núcleo do principal investigado manteria fluxo de recursos com uma fornecedora de região de fronteira, com apoio de doleiros que indicavam contas de terceiros e empresas de fachada. Outros integrantes usariam chaves Pix e contas de parentes como laranjas.

Os alvos também teriam recorrido a contas em casas de apostas e plataformas de jogos on-line para converter, fracionar e transferir rapidamente os valores.

Os alvos e o outro lado

Segundo O Tempo, entre os alvos de mandado de prisão estão Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como Jiraiya e apontado pela polícia como líder da organização, a influenciadora Ana Luiza de Nazaré Lima e Alam Manoel Lima.

Todos são suspeitos e não foram condenados. Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação pública das defesas dos citados, e a PCDF não informou os nomes de advogados constituídos.

Relembre o caso

A investigação começou a partir de provas obtidas em uma busca e apreensão anterior, na casa de um dos investigados apontado como líder de um dos núcleos. O celular apreendido continha um histórico extenso de mensagens que, segundo a polícia, detalhava a estrutura criminosa dividida em núcleos.

O uso de esteroides anabolizantes sem prescrição e sem controle sanitário é associado a riscos à saúde. Este texto é informativo e não substitui orientação de profissional de saúde.

Fontes consultadas nesta apuração

  • operação narciso
  • PCDF
  • anabolizantes
  • Distrito Federal
  • polícia civil
  • influenciadores
  • crime organizado

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