Os preços do petróleo dispararam nos mercados internacionais nesta segunda-feira (28), depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou a mais recente proposta do Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo.
O contrato futuro do WTI, referência americana, subia 4,22% na abertura desta segunda, cotado a US$ 96,31 o barril. O Brent, referência internacional, avançava 4,02%, para US$ 108,50, segundo o site financeiro americano TheStreet. Em contrapartida, os principais índices de Wall Street abriam em queda: o Dow Jones recuava 0,71%, o S&P 500 caía 0,48% e o Nasdaq perdia 0,55%.
A proposta rejeitada por Trump havia sido apresentada pelo chanceler iraniano, Abbas Araghchi, durante a Assembleia Geral da ONU, na semana passada. Segundo reportagem do site americano KPBS, Araghchi disse que, "se as condições necessárias forem atendidas, o estreito pode ser reaberto e a passagem marítima normal, restabelecida em sete dias".
Trump, porém, classificou o acordo como inaceitável. "Esse acordo não seria aceitável", disse o presidente americano, segundo a mesma reportagem. Ele afirmou ainda que o Irã "quer fechar um acordo para abrir o estreito imediatamente porque está perdendo muito" no conflito.
Já o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que seu país cumpriria os compromissos assumidos caso os americanos façam o mesmo. "Tudo vai voltar a ser como era antes", afirmou, segundo o KPBS.
O Estreito de Ormuz está no centro de uma crise que começou em 28 de fevereiro deste ano, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos coordenados contra o Irã. Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana fechou a passagem, provocando uma disparada no preço do petróleo descrita à época como a maior ruptura na oferta global de energia desde a crise do petróleo dos anos 1970.
Em junho, os dois países chegaram a assinar um memorando de entendimento que previa a reabertura do estreito e o alívio de sanções, mas o acordo naufragou em meio a acusações mútuas de descumprimento. Desde então, a passagem tem sido fechada e reaberta por diversas vezes, sempre em meio à tensão entre as partes.
A manutenção do impasse mantém os mercados internacionais em alerta. Qualquer novo fechamento do estreito tende a pressionar ainda mais os preços de combustíveis no mundo todo, em um momento em que bancos centrais monitoram de perto os efeitos da alta do petróleo sobre a inflação global.