Zelensky recusa ir a Moscou negociar com Putin
Trump pediu encontro direto com Putin em Moscou, mas Zelensky recusou e disse que só iria "num míssil". Kremlin diz que oferta de garantias de segurança segue de pé.
Redação Apuramos
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Trump pediu encontro direto com Putin em Moscou, mas Zelensky recusou e disse que só iria "num míssil". Kremlin diz que oferta de garantias de segurança segue de pé.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, propôs que o ucraniano Volodymyr Zelensky viajasse a Moscou para negociar diretamente com Vladimir Putin o fim da guerra na Ucrânia, sem intermediários e sem a presença de países europeus na mesa. Zelensky recusou a ideia.
Segundo a Bloomberg, citada pelo Brasil 247, a proposta foi feita por Trump durante um encontro entre os dois líderes à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em 22 de setembro. Dias depois, ao ser abordado por um jornalista de veículo estatal russo sobre quando visitaria a capital russa, Zelensky respondeu, em tom irônico, que só iria "num míssil" — declaração destacada pela CNN Brasil.
A resposta confirma a posição ucraniana de meses: um decreto assinado por Zelensky em 2022 proíbe negociações bilaterais diretas com Putin, e Kiev defende que qualquer acordo de paz precisa vir acompanhado de garantias internacionais concretas, não apenas de promessas russas.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, rebateu a leitura de que Zelensky teria recusado o convite. Segundo ele, "a posição da Federação Russa sobre um possível encontro entre Putin e Zelensky é bem conhecida", e o ucraniano poderia ir a Moscou "se quisesse", com garantias de segurança oferecidas pelo lado russo.
As condições do Kremlin para um acordo, porém, seguem as mesmas defendidas desde a invasão de 2022: neutralidade constitucional da Ucrânia, renúncia formal à adesão à Otan, limitação das Forças Armadas ucranianas e reconhecimento dos territórios ocupados pela Rússia. O chanceler russo, Sergei Lavrov, chegou a chamar o convite a Zelensky de "um grande gesto de boa vontade" de Moscou, mas descartou um cessar-fogo imediato, ao argumentar que uma trégua serviria apenas para Kiev se rearmar.
Do lado ucraniano, o discurso caminha na direção oposta. Na mesma semana da Assembleia da ONU, a Ucrânia e outros 51 países parceiros divulgaram uma declaração conjunta exigindo um "cessar-fogo imediato e incondicional" como pré-requisito para qualquer negociação de paz — postura rejeitada por Moscou.
Nos bastidores, Trump segue tentando destravar o impasse. No início de setembro, o enviado especial americano Steve Witkoff e o genro do presidente, Jared Kushner, viajaram a Moscou e a Kiev para sondar as condições de um possível acordo, segundo apurou o jornal espanhol La Moncloa. Até o momento, porém, nenhuma das partes cedeu nos dois pontos centrais do impasse: o formato de um eventual encontro entre Putin e Zelensky e as garantias que cercariam um cessar-fogo.
A guerra na Ucrânia, iniciada com a invasão russa em fevereiro de 2022, já passa de três anos e meio sem um acordo de paz definitivo à vista, enquanto ataques seguem sendo registrados dos dois lados da fronteira.
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