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Petróleo hoje (18/08): Brent supera US$ 91 com Ormuz fechado

Fim da trégua entre Estados Unidos e Irã manteve o barril acima de US$ 91 nesta terça-feira (18). No Brasil, a alta da commodity impulsionou a Petrobras e sustentou o Ibovespa, com o dólar a R$ 5,21.

Redação Apuramos

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Julia Taubitz/Unsplash — imagem ilustrativa
Julia Taubitz/Unsplash — imagem ilustrativa

O preço do petróleo seguiu pressionado nesta terça-feira (18) depois que o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã expirou sem acordo. Por volta das 10h24 (horário de Brasília), o contrato do Brent para outubro subia 0,48%, a US$ 91,31 o barril, na ICE de Londres, enquanto o WTI para setembro avançava 1,10%, a US$ 84,66, na Nymex, segundo o Money Times.

O movimento consolida a disparada da véspera. De acordo com reportagem da Folhapress publicada pelo jornal O Tempo, o Brent chegou a bater US$ 91,19 na tarde de segunda-feira (17) e fechou o dia em alta de 2,91%, a US$ 91,10 — o primeiro fechamento acima dos US$ 90 desde 29 de julho.

O gatilho foi o fim do prazo de 60 dias estabelecido em 17 de junho, quando os dois países anunciaram a interrupção dos ataques. O presidente dos EUA, Donald Trump, descartou prorrogar o acordo provisório e, em entrevista no sábado (15), ameaçou bombardear Omã caso o país atrapalhe os planos americanos para o Estreito de Ormuz.

Ormuz segue fechado

O principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou nesta terça, em declarações publicadas pela mídia estatal e reproduzidas pelo Money Times, que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que os EUA cumpram as condições do memorando assinado em junho. Entre elas estão suspender o bloqueio aos portos iranianos, retirar as sanções ao petróleo, liberar os ativos congelados de Teerã e encerrar as operações militares.

Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passava pela via. Dados da consultoria Kpler citados pelo Money Times mostram que apenas seis navios cruzaram o estreito na segunda-feira, contra uma média de 11 nos dez dias anteriores.

Uma autoridade iraniana de alto escalão disse à agência Reuters que o país trocou a postura militar defensiva por uma "totalmente ofensiva", enquanto as negociações para o fim permanente da guerra seguem paralisadas.

Juros longos disparam nos EUA

A alta da commodity reacendeu o temor de inflação e empurrou para cima os rendimentos dos títulos americanos de prazo mais longo. O Money Times informou que o Treasury de 30 anos operava acima de 5,31%, maior nível desde 2002. Já o InfoMoney registrou que o papel atingiu o patamar mais alto desde junho de 2007.

Pesou também o quadro fiscal americano: o déficit dos EUA chegou a US$ 432,3 bilhões em julho, o maior valor mensal desde março de 2021, o que elevou o acumulado do ano fiscal para perto de US$ 1,8 trilhão.

O efeito se espalhou pelos mercados. Os futuros de Nova York operavam em queda, com o Nasdaq Futuro em baixa de 1,18% e o S&P 500 Futuro recuando 0,58%, conforme o InfoMoney. As bolsas europeias também caíam, com o STOXX 600 em queda de 0,55%, e o Nikkei, no Japão, fechou com perda de 2,54%.

No Brasil, Petrobras sustenta o Ibovespa

Por aqui, o efeito foi o oposto. Com o petróleo em alta, as ações da Petrobras subiram e ajudaram o Ibovespa a driblar o mau humor externo: por volta das 10h16, o índice avançava 0,19%, aos 167.097,97 pontos, ainda segundo o Money Times.

O dólar à vista, no entanto, subia 0,20%, a R$ 5,2118, descolando do desempenho da moeda no exterior — o índice DXY, que compara o dólar a seis divisas fortes, caía 0,01% no mesmo horário.

No radar doméstico, o Ministério Público Federal pediu esclarecimentos ao Ibama sobre o pedido da Petrobras para perfurar três novos poços exploratórios na Bacia da Foz do Amazonas. Em comunicado divulgado na noite de segunda-feira, os procuradores afirmaram que liberar novas perfurações por meio de simples autorização "descumpre normas ambientais, ignora impactos cumulativos e contradiz as informações prestadas à sociedade e à Justiça".

"À medida que a retórica se intensifica, os preços também sobem", resumiu Phil Flynn, analista sênior do Price Futures Group, em declaração reproduzida pela Folhapress, ao citar a incerteza sobre os navios que cruzam o Estreito de Ormuz.

Fontes consultadas nesta apuração

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