Rússia e Ucrânia trocam 103 prisioneiros; 1ª troca desde junho
Ministério da Defesa russo diz que os Emirados Árabes Unidos mediaram o acordo. Os militares libertados estão em Belarus e Kiev não comentou a operação.
Redação Apuramos
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Ministério da Defesa russo diz que os Emirados Árabes Unidos mediaram o acordo. Os militares libertados estão em Belarus e Kiev não comentou a operação.
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Rússia e Ucrânia trocaram 103 prisioneiros de guerra cada uma nesta quarta-feira (19), na primeira operação do tipo entre os dois países desde junho. O anúncio foi feito pelo Ministério da Defesa russo, que apontou os Emirados Árabes Unidos como mediadores do acordo.
"Cento e três militares russos foram repatriados. Em troca, 103 prisioneiros de guerra das Forças Armadas ucranianas foram entregues", diz o comunicado da pasta russa, divulgado pela agência AFP e publicado pelo Estado de Minas.
O ministério destacou que os Emirados Árabes Unidos desempenharam "papel de mediador" no entendimento, como já havia ocorrido em trocas anteriores. Até a publicação desta reportagem, a Ucrânia não havia se manifestado oficialmente sobre a operação.
Segundo o The Moscow Times, os militares russos libertados estão em Belarus, onde passam por avaliações médicas e psicológicas.
A operação também abriu espaço para um encontro entre os responsáveis pela área de direitos humanos dos dois governos. Yana Lantratova, que ocupa o cargo na Rússia, afirmou ter se reunido com o equivalente ucraniano, Dmytro Lubinets, durante a troca.
"Trocamos listas de pessoas desaparecidas, discutimos questões de documentação e acertamos o próximo envio humanitário de pacotes de assistência", escreveu Lantratova em publicação no Telegram, de acordo com o The Moscow Times. A autoridade russa divulgou fotos e vídeos do encontro, realizado em território bielorrusso.
O tema dos desaparecidos é um dos mais sensíveis do conflito. Famílias dos dois lados aguardam há anos informações sobre parentes cujo paradeiro nunca foi confirmado.
As trocas de prisioneiros e a repatriação de soldados estão entre os poucos âmbitos em que Rússia e Ucrânia mantêm alguma cooperação desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, informou a AFP.
O gesto humanitário, no entanto, contrasta com o que ocorre no campo de batalha. As negociações de paz seguem congeladas e os dois lados intensificaram os ataques desde o início do ano, o que levou a números de civis mortos que não eram registrados desde o começo da guerra, segundo a ONU, em dados citados pela AFP.
Na mesma quarta-feira, o The Moscow Times noticiou um ataque de drones ucranianos contra uma refinaria de petróleo na região russa do Bashkortostan. Na véspera, o veículo havia relatado um ataque com drone nas proximidades da usina nuclear de Zaporizhzhia, que deixou um morto, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Ao longo deste ano, Rússia e Ucrânia já libertaram centenas de prisioneiros de guerra em operações intermediadas pelos Estados Unidos e pelos Emirados Árabes Unidos, também de acordo com o The Moscow Times.
A troca desta quarta-feira encerra um intervalo de quase dois meses sem acordos desse tipo, período em que os ataques com drones e mísseis se intensificaram nos dois territórios.
Para as famílias dos militares, cada operação funciona como uma das raras janelas de informação em um conflito que já dura mais de quatro anos. Nem Moscou nem Kiev divulgaram a lista nominal dos militares envolvidos na troca desta quarta-feira.
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