A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou o registro do segundo medicamento genérico à base de semaglutida no Brasil. O produto é fabricado pela Germed e a decisão foi publicada nesta segunda-feira (24/8) no Diário Oficial da União (DOU), conforme informou o Correio Braziliense.
A autorização chega apenas uma semana depois do primeiro registro do tipo, concedido à EMS. Em sete dias, portanto, o mercado brasileiro de canetas com semaglutida — o princípio ativo do Ozempic e do Wegovy — passou a ter dois genéricos aprovados. Esta reportagem atualiza a cobertura publicada pelo Apuramos sobre o primeiro genérico da substância no país.
Preço tem de ser 35% menor, mas ainda depende da CMED
Como acontece com todo medicamento classificado como genérico, o produto da Germed não terá marca comercial própria. A legislação brasileira determina ainda que esse tipo de remédio seja comercializado por um valor pelo menos 35% menor que o do produto de referência.
O registro sanitário, porém, não coloca o medicamento na prateleira. Antes de chegar às farmácias, o preço precisa ser definido pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos). Segundo o Midiamax, estimativas de mercado apontam que a versão genérica pode custar entre R$ 293 e R$ 323, tomando como base o Ozivy, da EMS, hoje vendido na faixa de R$ 452 a R$ 498. Os valores não estão confirmados.
Para conceder o registro, a agência exige que o genérico apresente o mesmo princípio ativo, na mesma concentração e forma farmacêutica do produto de referência, além da comprovação de equivalência entre os medicamentos.
O que já foi liberado desde a queda da patente
A abertura do mercado ocorreu depois do fim da patente da semaglutida, em 20 de março deste ano. Até então, a farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk detinha a exclusividade sobre medicamentos como Ozempic e Wegovy.
De acordo com o Correio Braziliense, a primeira autorização específica para um genérico de semaglutida foi concedida à EMS em 13 de agosto, com publicação no DOU quatro dias depois. Esse registro inclui quatro apresentações de solução injetável na concentração de 1,34 mg/mL. Na mesma data, a Anvisa aprovou o Semaclique, da Germed, classificado como similar — também com semaglutida a 1,34 mg/mL. Agora, com o novo registro, a Germed passa a ter igualmente um genérico autorizado.
Antes disso, ainda em julho, a agência havia liberado cinco novas canetas com a substância: Orsema, Owozy, Semavy, Seemasun e Zempneo. Entre os produtos já aprovados no país estão opções sintéticas e biológicas, como o Ozivy, da EMS, e o Extensior, da Eurofarma.
Como age a semaglutida
A semaglutida integra a classe dos análogos do GLP-1, medicamentos que reproduzem efeitos de um hormônio produzido naturalmente pelo organismo. A substância atua sobre mecanismos ligados à saciedade e à regulação do metabolismo e, por isso, é usada em tratamentos que podem resultar em perda de peso, além do controle do diabetes tipo 2.
Caso diferente é o da tirzepatida, presente no Mounjaro. Ela age simultaneamente sobre os receptores dos hormônios GLP-1 e GIP e, por essa característica, é classificada como duplo agonista. A patente dessa substância no Brasil segue sob titularidade da farmacêutica Eli Lilly — ou seja, não há previsão de genérico do Mounjaro no curto prazo.
O uso de qualquer medicamento da classe exige prescrição médica e acompanhamento profissional.