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Super El Niño: guia orienta prefeituras e NOAA vê 90% de chance

Associação Brasileira de Municípios lançou manual de prevenção e resposta a eventos climáticos extremos. Agência dos EUA aponta mais de 90% de chance de um El Niño muito forte até 2027.

Redação Apuramos

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Justin Wolff/Unsplash — imagem ilustrativa
Justin Wolff/Unsplash — imagem ilustrativa

O avanço do El Niño no Oceano Pacífico levou a Associação Brasileira de Municípios (ABM) a lançar um guia para orientar prefeituras a se prepararem para eventos climáticos extremos nos próximos meses. Segundo a CNN Brasil, o material será distribuído gratuitamente e reúne medidas de prevenção, resposta emergencial e recuperação.

Batizado de "Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos", o documento parte de uma premissa: os municípios devem se antecipar aos riscos, em vez de concentrar a atuação apenas na resposta depois do desastre.

A expressão "Super El Niño" descreve o cenário de forte intensificação do fenômeno. Na atualização mais recente do Centro de Previsão Climática da NOAA, a agência de oceanos e atmosfera dos Estados Unidos, divulgada em 13 de agosto, a probabilidade de um El Niño muito forte durante o outono e o inverno de 2026-27 no Hemisfério Norte passou de 90%.

A mesma projeção aponta 69% de chance de que o episódio seja histórico, superando em intensidade todos os eventos registrados desde 1950. Nesse cenário, a anomalia de temperatura na região do Niño 3.4 alcançaria 2,5°C ou mais no trimestre outubro-dezembro de 2026.

Os dados do Pacífico já mostram aquecimento acelerado. Ainda conforme a CNN Brasil, em julho as anomalias de temperatura da superfície do mar ultrapassaram 2°C no Pacífico Equatorial Leste. O índice Niño 3.4 marcou +1,4°C, o Niño 3 chegou a +1,7°C e o Niño 1+2 atingiu +2,9°C.

"Os efeitos das mudanças climáticas são sentidos e vividos com mais intensidade nos municípios. O objetivo do guia é apoiar as equipes locais na proteção da população antes, durante e depois de um evento extremo", afirmou Eduardo Tadeu Pereira, diretor-executivo da ABM.

Os impactos previstos variam por região. No cenário apresentado pela associação, Norte e Nordeste podem enfrentar redução das chuvas, estiagem, queda no nível dos rios, pressão sobre o abastecimento e mais risco de queimadas.

No Centro-Oeste, o calor e a baixa umidade tendem a favorecer incêndios, especialmente no Pantanal. O Sudeste pode registrar períodos de calor intenso, baixa umidade e chuvas irregulares. Já no Sul, o risco apontado é o oposto: temporais persistentes, enchentes, alagamentos e deslizamentos.

A própria NOAA ressalta que um El Niño mais intenso aumenta a probabilidade de determinados impactos, mas não garante que eles ocorram em todas as localidades.

A ABM sustenta que a preparação não cabe apenas à Defesa Civil. Segundo a entidade, a resposta exige integração entre gabinete do prefeito, procuradoria, planejamento, saúde, assistência social, infraestrutura, mobilidade, educação, meio ambiente, comunicação e finanças.

Entre as medidas recomendadas para a fase de prevenção estão o mapeamento de áreas de risco, a identificação das populações mais vulneráveis e a atualização dos planos de contingência, com definição prévia de abrigos, equipes, equipamentos e estoques.

O guia orienta ainda que as prefeituras antecipem procedimentos administrativos, incluindo a documentação necessária para eventuais contratações emergenciais, de modo a reduzir o tempo de resposta quando a crise chegar.

Durante uma emergência, a recomendação é instalar um gabinete de crise e articular as secretarias para evacuação de áreas de risco, acolhimento da população, atendimento de saúde, distribuição de suprimentos e manutenção dos serviços essenciais. A comunicação oficial, rápida e acessível, é tratada como parte da resposta, inclusive para conter a circulação de informações falsas.

Depois do evento, o material orienta avaliar danos, retomar serviços públicos, apoiar as famílias atingidas e planejar uma reconstrução que reduza a exposição a novos riscos, além de registrar de forma transparente despesas, contratos e decisões tomadas durante a emergência.

A previsão da NOAA indica que o episódio deve atingir o pico entre outubro e dezembro e persistir pelo menos até março de 2027, com redução gradual da intensidade ao longo do próximo ano. No Brasil, os primeiros reflexos já apareceram no Sul, onde julho terminou com chuvas entre 30% e 90% acima da média, dependendo da localidade.

Fontes consultadas nesta apuração

  • super-el-nino
  • el-nino
  • clima
  • noaa
  • abm
  • eventos-climaticos-extremos
  • defesa-civil

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