UE admite que ajuda à Ucrânia não bastará em 2027
Após ataques russos que deixaram Kiev sem energia, Bruxelas reconhece déficit de financiamento. Kiev pede US$ 78 bilhões; Comissão prevê cerca de € 45 bilhões.
Redação Apuramos
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Após ataques russos que deixaram Kiev sem energia, Bruxelas reconhece déficit de financiamento. Kiev pede US$ 78 bilhões; Comissão prevê cerca de € 45 bilhões.
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A União Europeia admitiu que o apoio financeiro prometido à Ucrânia não será suficiente para 2027, em meio à escalada dos ataques russos. A informação é da Euronews, em reportagem publicada neste sábado (10).
Este texto é uma atualização da cobertura do bombardeio em Kramatorsk, publicada pelo Apuramos na quinta-feira (8).
Déficit de financiamento
Segundo a Euronews, o comissário europeu de Economia, Valdis Dombrovskis, disse após reunião de ministros de Finanças, na sexta-feira (9), que o cenário para 2027 é "mais complexo" e que existe um "importante déficit de financiamento", ainda em fase de quantificação.
O bloco aprovou no ano passado um empréstimo de € 90 bilhões, pensado para cobrir dois terços das necessidades ucranianas em 2026 e 2027. De acordo com a Euronews, o desenho partiu da premissa de que a guerra terminaria em 2026, hipótese que a escalada atual torna improvável.
O ministro das Finanças da Ucrânia, Serhii Marchenko, pediu que os doadores cubram US$ 78 bilhões (cerca de € 70 bilhões) em 2027. Ele afirmou que será o orçamento mais difícil desde o início da invasão em larga escala. A Comissão não endossou o valor e prevê aportar cerca de € 45 bilhões em 2027, com desembolsos mais rápidos, condicionados a reformas internas.
Ativos russos congelados
Um grupo de países tentou reabrir o debate sobre o uso de ativos russos congelados. A Bélgica, principal custodiante desses recursos, se opôs, e França e Itália seguem relutantes, segundo a Euronews. Um diplomata ouvido pela publicação lembrou que, em dezembro, uma proposta baseada nesses ativos foi derrubada e que, por ora, "não há nada novo" sobre a mesa.
A Euronews acrescenta que Bruxelas pede que Reino Unido, Canadá e Japão assumam mais responsabilidade e que os Estados Unidos não oferecem ajuda no momento.
Ataques e apagão
A discussão ocorre após uma sequência de ofensivas. Segundo a Euronews, a Rússia deixou Kiev sem energia na sexta-feira e atingiu ferrovias, pontes, centrais elétricas e escolas. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou os ataques como crimes de guerra. O presidente Volodymyr Zelensky chamou as ações de "terror" e pediu que líderes não ignorem o que ocorre.
Em Donetsk, ataques russos mataram ao menos 35 pessoas na quinta-feira, segundo autoridades citadas pela Euronews: 32 em Kramatorsk e três em Bilenke. O governador Vadym Filashkin disse que a região foi bombardeada mais de 30 vezes em 24 horas e que 379 pessoas deixaram suas casas.
Refinarias e posição de Trump
Zelensky informou que forças ucranianas atingiram refinarias em Omsk e Ukhta, na Rússia. Segundo a Euronews, o presidente americano, Donald Trump, pediu que Kiev pare de atacar refinarias russas, argumentando que os ataques causam escassez global.
Na região russa de Belgorod, o governador Alexander Shuvaev relatou quatro mortos em ataques ucranianos, conforme a mesma reportagem.
O Apuramos segue acompanhando o caso.
Água e lama invadiram ruas, clínicas e universidades na região leste de Santiago. Governo atribui o episódio a tubulações obstruídas e ao efeito de um incêndio recente.
Presidente americano prometeu não atacar antes das eleições de meio de mandato, enquanto o presidente iraniano diz que negociar sob ameaça "não é negociação". Petróleo recua nesta sexta (9).
Ataque em Kramatorsk, no leste do país, também feriu 18 pessoas. Governo ucraniano suspendeu o transporte público em duas cidades e a Promotoria abriu investigação por suspeita de crime de guerra.