Vivaxin: vacina brasileira contra malária vai a testes em humanos
Anvisa autorizou o estudo de fase 1 do imunizante desenvolvido pela UFMG, USP e Cristália. Ministro Padilha visitou o laboratório neste sábado (10).
Redação Apuramos
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Anvisa autorizou o estudo de fase 1 do imunizante desenvolvido pela UFMG, USP e Cristália. Ministro Padilha visitou o laboratório neste sábado (10).
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A Anvisa autorizou o início dos testes em humanos da Vivaxin, vacina brasileira contra a malária causada pelo Plasmodium vivax, a forma da doença predominante no País. Segundo o jornal Estado de Minas, ainda não existe vacina contra essa espécie do parasita em nenhum lugar do mundo.
O imunizante é desenvolvido pelo CTVacinas, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e o laboratório Cristália.
O que a Anvisa aprovou
De acordo com o Estado de Minas, a decisão foi publicada na Resolução-RE nº 3.956, de 6 de outubro de 2026, que aprovou o Dossiê de Desenvolvimento Clínico de Medicamento e o processo de pesquisa clínica apresentados pelo CTVacinas. A autorização foi divulgada na quarta-feira (7).
O estudo será de fase 1, voltada a avaliar segurança, reações à aplicação e capacidade de estimular resposta imune. Conforme o jornal, participarão 48 voluntários saudáveis, de 18 a 59 anos e sem histórico de malária, divididos em três níveis de dose. Cada participante receberá a Vivaxin ou placebo, em três doses com intervalo de 28 dias, e será acompanhado por 360 dias no Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte.
Ministro visita o CTVacinas
Neste sábado (10), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou o CTVacinas, em Belo Horizonte. Segundo o Estado de Minas, ele destacou a importância da produção nacional de imunizantes para a autonomia do País e defendeu centros de pesquisa em universidades públicas.
Ricardo Gazzinelli, fundador e coordenador do CTVacinas, afirmou ao jornal que a vacina pode ter papel importante para eliminar a malária do território brasileiro. Ele disse ainda que, depois das fases 1 e 2, a fase 3 pode durar de 5 a 7 anos.
Por que a vacina importa
Segundo o Ministério da Saúde, citado pelo Estado de Minas, as vacinas recomendadas pela OMS foram desenvolvidas para o Plasmodium falciparum, predominante na África, e não para o P. vivax, que prevalece no Brasil, sobretudo na Amazônia.
O Relatório Mundial da Malária 2025, da OMS, registrou cerca de 9,9 milhões de casos de P. vivax em 2024. Nas Américas, a espécie respondeu por 63,1% dos casos estimados no ano.
No Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 118.037 casos de malária adquiridos localmente em 2025, mais de 99% deles na região amazônica. O País tem como meta eliminar a transmissão local da doença até 2035. Padilha citou número ligeiramente diferente em sua visita, de 118.617 casos em 2025.
Próximos passos
A Vivaxin ainda está no início do caminho: a fase 1 não avalia eficácia, e não há prazo para uso pela população nem informação sobre custo. O projeto recebe apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, do FNDCT, da Finep e do Ministério da Saúde, por meio do PDIL.
Hoje, o controle da doença no Brasil se baseia em diagnóstico rápido, controle de vetores e tratamento gratuito pelo SUS. Padilha alertou que as mudanças climáticas podem levar a malária a regiões onde ela não existia.
Agência determinou o recolhimento compulsório de todos os lotes do produto, que contém proteína de fava hidrolisada sem avaliação de segurança para uso em alimentos.
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