O 7 de Setembro de 2026 vai colocar governo e oposição em palcos separados, a menos de um mês do primeiro turno das eleições. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi autorizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a falar em cadeia de rádio e TV, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato ao Planalto, confirmou presença no ato marcado para a avenida Paulista, em São Paulo.
Segundo o Poder360, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, deu aval na sexta-feira (4) ao pedido apresentado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência para o pronunciamento em alusão ao Dia da Independência. A expectativa é que a mensagem, de 3 minutos e 43 segundos, seja exibida neste domingo (6).
Ainda de acordo com o Poder360, o texto deve girar em torno da soberania nacional. Lula pretende citar a aprovação do Marco Legal dos Minerais Críticos no Congresso e afirmar que é preciso que os brasileiros estejam “altivos” para impedir que o país volte a ser colônia de potências estrangeiras. Ao tribunal, a Secom argumentou que a peça tem “caráter cívico”, sem promover programas, obras, serviços ou resultados da administração pública — condição para escapar das restrições da legislação eleitoral em ano de disputa.
O desfile cívico-militar na Esplanada dos Ministérios está marcado para começar às 9h de segunda-feira (7), com encerramento previsto para as 11h, informou o Brasil de Fato. O acesso é gratuito, e a expectativa do governo é de público de 30 mil pessoas.
A programação foi organizada em três eixos temáticos — soberania nacional, combate ao feminicídio e a Copa do Mundo Feminina de 2027 —, conforme o Poder360. A saúde aparece representada pelo Zé Gotinha, personagem histórico das campanhas de vacinação contra a poliomielite. Haverá ainda uma ala com jogadoras que marcaram época no futebol feminino, em um encontro de gerações com atletas jovens.
Depois da abertura com alunos de escolas públicas, desfilam as tropas a pé das Forças Armadas, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, seguidas do desfile motorizado, da pirâmide humana do Batalhão de Polícia do Exército e das tropas montadas a cavalo. O encerramento fica por conta da Esquadrilha da Fumaça e de aeronaves da Força Aérea Brasileira.
Os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, estão na lista de autoridades esperadas, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e de ministros de Estado.
Em ano eleitoral, o governo optou por uma cerimônia mais contida para evitar questionamentos no TSE. O custo, porém, subiu: o desfile deste ano está orçado em R$ 5,74 milhões, cerca de 33% acima dos R$ 4,31 milhões gastos em 2025, segundo levantamento do Poder360.
Do outro lado, a principal mobilização da oposição será em São Paulo. Em transmissão ao vivo no Instagram na manhã deste domingo (6), Flávio Bolsonaro reforçou o convite para o ato e confirmou que estará na avenida Paulista. A concentração está marcada para as 15h, com os motes “Fora Lula, Fora Moraes” e “É agora ou nunca”, informou o Poder360.
O candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro, Carlos Jordy (PL), participou do início da live. Neste domingo também se completam oito anos da facada sofrida por Jair Bolsonaro (PL) durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG), em 2018 — episódio lembrado por Flávio na transmissão.
A manifestação ocorre em meio à repercussão de mensagens trocadas entre o empresário Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, reveladas pela imprensa nos últimos dias.
O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro, e um eventual segundo turno, para 25 de outubro, de acordo com o calendário eleitoral do TSE.