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Abin vê risco crítico de interferência dos EUA nas eleições

Relatório enviado ao Planalto e ao TSE no fim de agosto aponta escalada da pressão americana sobre o Brasil às vésperas das eleições de 2026.

Redação Apuramos

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Arnaud Jaegers/Unsplash — imagem ilustrativa
Arnaud Jaegers/Unsplash — imagem ilustrativa

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elevou a um nível "crítico" a avaliação sobre o risco de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo e confirmada pela CNN Brasil.

Segundo a CNN Brasil, o alerta consta de um relatório técnico enviado pela Abin, ainda no fim de agosto, ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O documento aponta uma "tendência de escalada de pressão sobre o Brasil" e descreve uma "intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA" ao longo dos últimos meses, de acordo com trechos citados pela reportagem.

Entre os objetivos do governo americano na região, a Abin lista a "redução da influência de potências rivais dos EUA na América Latina" e a "negação do acesso dessas potências a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas".

A agência classifica a atuação dos Estados Unidos como algo que ocorre "de modo gradual, combinado e adaptativo" — ou seja, não como um episódio isolado, mas como parte de uma estratégia de mais longo prazo.

Para sustentar essa leitura, o relatório cita documentos do governo americano produzidos entre novembro de 2025 e maio de 2026, período em que a hegemonia dos Estados Unidos sobre a América Latina teria se firmado como "prioridade do segundo governo Trump", segundo a CNN Brasil.

Como exemplo concreto da pressão americana, a Abin menciona a sanção aplicada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, em 1º de julho, contra dois cidadãos e três empresas brasileiras por supostos vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo a avaliação da agência, o episódio demonstra a capacidade de Washington de atingir "relações financeiras, reputação empresarial, acesso ao dólar e operações internacionais" de alvos no Brasil — um tipo de instrumento que, na leitura da Abin, poderia ser direcionado a outros atores no contexto eleitoral.

A reportagem que revelou o conteúdo do relatório foi assinada pelas correspondentes Janaína Camelo e Carol Rosito, em Brasília, e publicada pela CNN Brasil em 19 de setembro, com base em informações originalmente divulgadas pela Folha de S.Paulo.

O documento se soma a um cenário de forte disputa em torno das eleições de 2026, em que o TSE tem julgado nos últimos dias casos envolvendo candidaturas e ações eleitorais em diferentes partes do país.

O relatório da Abin não foi divulgado na íntegra, e seu conteúdo é conhecido até agora a partir de trechos reproduzidos pela Folha de S.Paulo e pela CNN Brasil.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Abin
  • TSE
  • Eleições 2026
  • Estados Unidos
  • Brasil-EUA

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