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Acordo para reabrir o Estreito de Ormuz pode sair hoje (5/8)

Secretário do Tesouro dos EUA fala em entendimento "hoje ou amanhã"; Irã classifica como "positivas" as negociações mediadas por Omã, mas pontos como tarifas de passagem ainda travam o acerto

Redação Apuramos

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Acordo para reabrir o Estreito de Ormuz pode sair hoje (5/8)
Dylan McLeod/Unsplash — imagem ilustrativa

As negociações para reabrir o Estreito de Ormuz ganharam ritmo entre a noite de terça-feira (4) e a manhã desta quarta (5), e um acordo pode ser anunciado ainda hoje. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse à CNBC que há chance de um entendimento "hoje ou amanhã", e fontes diplomáticas em Teerã ouvidas pela Al Jazeera também admitem um acerto até o fim desta quarta-feira.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, confirmou que Washington está envolvido nas conversas conduzidas por Omã com o Irã. "Houve progresso nessas negociações, mas ainda não há finalização. Esperamos que isso aconteça muito em breve", declarou Rubio a jornalistas no Departamento de Estado, segundo a CBS News.

Do lado iraniano, o porta-voz da chancelaria, Esmaeil Baghaei, classificou como "positivas" as conversas com Omã e disse que elas seguem em andamento, focadas na criação de corredores seguros de entrada e saída de navios pelo estreito, apurou a Al Jazeera com base em agências. Teerã sustenta que negocia com Mascate, e não diretamente com os americanos.

O que ainda trava o acordo

Segundo autoridades iranianas citadas pela Al Jazeera, restam divergências sobre três pontos: o mecanismo de reabertura da via, as tarifas de serviço marítimo e os arranjos de segurança. Uma fonte iraniana disse à CBS News que as discussões com Omã estão concentradas na mecânica prática da reabertura.

Rubio afirmou que o estreito "está aberto" e que navios seguem cruzando a via, mas que o objetivo imediato é ampliar com segurança o número de embarcações no curto prazo, antes de avançar para o que chamou de "acordo definitivo": a desnuclearização do Irã.

O presidente Donald Trump, que na semana passada ameaçou uma grande campanha militar contra o país, voltou a recuar para dar espaço à diplomacia. "Quero dar a eles cada última chance antes da decapitação. Veremos o que acontece", disse Trump no Salão Oval, segundo a CBS News.

Tensão continua no mar

Enquanto a diplomacia avança, os incidentes seguem. Um cargueiro indiano afundou após ser atingido por um projétil perto de águas iemenitas na terça-feira; os 14 tripulantes foram resgatados pela guarda costeira do Iêmen, informou o ministro de Navegação da Índia, segundo a Al Jazeera. Outro cargueiro foi atingido por um "projétil desconhecido" no próprio Estreito de Ormuz, na costa de Omã, de acordo com a agência marítima britânica UKMTO, citada pela CBS News.

No mesmo dia, o aeroporto de Najran, na Arábia Saudita, suspendeu operações depois que os houthis do Iêmen reivindicaram um ataque de drone contra o que descreveram como um alvo militar "sensível" — uma fonte regional disse à AFP que o radar principal do aeroporto foi atingido.

Relembre o caso

O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, virou o principal ponto de atrito entre Washington e Teerã desde o início da guerra, em fevereiro. Os dois países assinaram um memorando de entendimento em meados de junho, mas os ataques e o fechamento da via a boa parte do tráfego derrubaram o fluxo de navios — a consultoria Kpler registrou apenas nove trânsitos confirmados no domingo. No Brasil, o preço do petróleo chegou a cair 5% na semana passada com a promessa de reabertura, como o Apuramos mostrou.

O emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani, telefonou para Trump na terça-feira para discutir a desescalada, e o Paquistão convidou o chanceler iraniano Abbas Araghchi para conversas em Islamabad, ainda sem confirmação.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Estreito de Ormuz
  • Irã
  • Estados Unidos
  • Omã
  • Donald Trump
  • petróleo
  • Marco Rubio

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