Paquistão ataca 10 alvos no Afeganistão após drones talibãs
Governo paquistanês diz ter atingido pontos usados para lançar drones contra seu território; Talibã nega envolvimento e crise ameaça mediação internacional.
Redação Apuramos
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Governo paquistanês diz ter atingido pontos usados para lançar drones contra seu território; Talibã nega envolvimento e crise ameaça mediação internacional.
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O Paquistão afirmou nesta quinta-feira (24) ter realizado ataques aéreos contra dez alvos no Afeganistão, horas depois de acusar forças ligadas ao Talibã de lançarem drones contra posições paquistanesas na fronteira. O anúncio marca uma nova escalada entre os dois países, que já haviam registrado os piores confrontos em anos no início de 2026.
Segundo a CNN Brasil, os ataques desta quinta atingiram pontos na província de Khost, no sudeste afegão, supostamente usados para armazenar e lançar os drones que teriam atingido o território paquistanês no dia anterior. O Diário do Grande ABC informou que as ofensivas também miraram áreas próximas às cidades fronteiriças de Kohat e Torkham, no noroeste do Paquistão.
O ministro da Informação paquistanês, Attaullah Tarar, anunciou as operações em publicação na rede social X, descrevendo-as como "deliberadas, precisas, calibradas e proporcionais", e afirmando que os alvos se limitaram a objetivos militares.
De acordo com o jornal O Povo, as forças paquistanesas alegam ter interceptado oito drones "rudimentares" antes que chegassem a Kohat e Torkham, além de terem revidado com artilharia após um bombardeio com morteiros e armas pesadas partido de posições talibãs na fronteira.
O governo talibã nega qualquer participação nos ataques. Segundo O Povo, o porta-voz Zabihullah Mujahid afirmou que as forças afegãs não conduziram nenhuma operação contra o Paquistão nos últimos dias.
Não há registro de vítimas nos ataques desta quinta-feira, segundo as reportagens consultadas. Ainda de acordo com o Diário do Grande ABC, um ataque a uma instalação policial paquistanesa na semana anterior havia deixado ao menos 24 mortos, e um bombardeio do Paquistão contra Cabul em março já havia matado mais de 400 pessoas — o Talibã afirmou na ocasião que o alvo era um centro de reabilitação, enquanto Islamabad sustentou que se tratava de posições militares.
Paquistão e Afeganistão, antigos aliados na luta contra forças ocidentais, romperam relações nos últimos anos em meio a acusações mútuas. Islamabad diz que o Talibã abriga grupos armados responsáveis por ataques transfronteiriços, o que Cabul nega sistematicamente. Fevereiro de 2026 já havia registrado os combates mais intensos entre os dois países em anos, seguidos por um período de relativa calmaria de cerca de três meses — agora interrompido pela nova onda de ataques.
A escalada ameaça os esforços de mediação conduzidos por China, Turquia, Catar e Arábia Saudita, que vinham tentando costurar uma paz duradoura entre Islamabad e Cabul. Até o momento, não há confirmação independente das versões apresentadas pelos dois lados sobre quem disparou primeiro nesta rodada de hostilidades.
O episódio reacende o temor de um conflito mais amplo entre dois países que dividem uma fronteira de cerca de 2.430 quilômetros, historicamente marcada por disputas territoriais, fluxo de refugiados e a presença de grupos armados em ambos os lados da chamada Linha Durand.
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