O partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) teve neste domingo (20) o melhor resultado de sua história em eleições regionais, um avanço que aprofundou a crise política em torno do chanceler Friedrich Merz, da União Democrata-Cristã (CDU).
Eleitores foram às urnas em dois territórios alemães: o estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste do país, e a cidade-estado de Berlim. Em ambos, a AfD cresceu, enquanto a CDU de Merz recuou.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, segundo o portal português Eco, a AfD ficou em primeiro lugar com 38,2% dos votos, à frente do Partido Social-Democrata (SPD), com 35,5%. A CDU obteve apenas 4,9% — abaixo da cláusula de barreira de 5% — e ficou, pela primeira vez na história, sem representação no parlamento estadual. O SPD pode seguir governando a região caso costure uma coalizão com outros partidos.
Em Berlim, o Die Linke (esquerda) venceu com 25,7%, seguido pela CDU, com 18,8%, e pela AfD, com 16,3% — mais que o dobro dos cerca de 9% obtidos pela legenda de extrema direita na eleição de 2023 na capital. Verdes (14,3%) e SPD (12,1%) completaram a disputa. Com o resultado, a coalizão entre CDU e SPD perdeu a maioria no governo de Berlim.
De acordo com o jornal mineiro O Tempo, trata-se do pior resultado já obtido pela CDU desde a fundação do partido, em 1945. Já o portal Terra classificou o desempenho como o mais baixo da legenda em eleições regionais desde 1949.
A AfD comemorou. Segundo O Tempo, a copresidente do partido, Alice Weidel, disse que a sigla "substituiu a CDU como o partido do povo". Já o candidato da AfD ao governo de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Leif-Erik Holm, foi mais incisivo: "o chanceler certamente não chegará ao fim do ano", afirmou, em referência a Merz.
Merz, de 70 anos, reconheceu o resultado como um "desastre" tanto no estado do nordeste quanto em Berlim, mas descartou renunciar. Segundo o Eco, ele afirmou: "estamos determinados, juntos, a enfrentar os desafios históricos que nosso país enfrenta. Não é nada menos que o futuro democrático do nosso país." O chanceler disse ainda, segundo o Terra, que "a confiança nas instituições do país está diminuindo" e prometeu manter a coalizão com o SPD em nível federal.
Merz governa a Alemanha há apenas 16 meses à frente de uma coalizão CDU-SPD e enfrenta baixa popularidade — sua aprovação está pouco acima de 10%, segundo O Tempo —, em meio a disputas internas na coalizão e à lentidão na implementação de reformas prometidas.
A AfD já havia se consolidado como a segunda maior força política do país após as eleições legislativas de 2025, mas segue isolada pelos demais partidos, que mantêm o chamado "cordão sanitário" e recusam qualquer aliança formal com a legenda em nível nacional. O novo avanço, no entanto, reacende o debate dentro do campo conservador sobre a viabilidade de manter esse isolamento no longo prazo.
Os resultados deste domingo são vistos como um termômetro para as eleições estaduais que a Alemanha ainda terá pela frente antes do fim da década e aumentam a pressão sobre Merz para mostrar resultados econômicos e sociais concretos nos próximos meses.