Trocar refrigerante por água com gás sem açúcar tende a ser menos agressivo para o esmalte dos dentes. É o que sugere um estudo preliminar da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, divulgado nesta segunda-feira (27) pela American Society for Nutrition (ASN). A pesquisa mediu como quatro bebidas diferentes alteram a acidez dentro da boca — e encontrou uma queda bem mais forte e duradoura com o refrigerante.
Como o teste foi feito
Os pesquisadores testaram refrigerante adoçado com açúcar, água com gás comum, água com gás fortificada com cálcio e água sem gás em 20 adultos. Cada participante bebeu todas as opções, o que permite comparar os efeitos sem a interferência das diferenças naturais entre uma pessoa e outra.
O diferencial, segundo o grupo, foi medir o pH da saliva em vez de apenas a acidez da bebida na garrafa. "Ao medir como a boca respondeu em tempo real, em vez de testar apenas a acidez da bebida como outros estudos fizeram, nosso estudo oferece uma compreensão mais realista de como essas bebidas podem afetar a saúde bucal", disse Wajiha Zulfiqar, estudante de pós-graduação em Ciência da Nutrição em Purdue e autora do trabalho, em material distribuído pela ASN.
O que os números mostraram
O esmalte do dente começa a se dissolver quando o pH da boca cai abaixo de cerca de 5,5. Entre as bebidas testadas, o refrigerante provocou o maior aumento de acidez: o pH da saliva ficou significativamente mais baixo do que o da água tanto 2 minutos quanto 20 minutos depois do consumo.
A água com gás comum causou uma queda passageira do pH aos 2 minutos. A versão fortificada com cálcio derrubou o pH aos 5 minutos. Nos dois casos, os valores voltaram a ficar perto do patamar inicial em até 20 minutos, com a própria saliva restabelecendo as condições normais. Em nenhum dos cenários de curto prazo a acidez cruzou o limite associado à erosão do esmalte.
"Muita gente está trocando refrigerante por água com gás, e nossos achados sugerem que a água com gás sem açúcar pode ser uma alternativa de menor risco, quando consumida com moderação e junto de boas práticas de higiene bucal", afirmou Zulfiqar.
Os limites do estudo
O próprio grupo faz ressalvas. O experimento mediu apenas variações breves no pH da saliva. Na vida real, a chance de erosão dentária também depende da frequência com que a pessoa bebe, de quanto tempo os dentes ficam expostos ao líquido e da presença de açúcar. A amostra, de 20 pessoas, é pequena.
Há ainda uma limitação formal importante: o trabalho foi apresentado como resumo no NUTRITION 2026, congresso anual da ASN realizado de 25 a 28 de julho em National Harbor, em Maryland, nos Estados Unidos. Segundo a entidade, os resumos passam por seleção de um comitê de especialistas, mas em geral não completaram a revisão por pares exigida para publicação em revista científica — e por isso devem ser tratados como preliminares. A apresentação ocorreu no domingo (26), na sessão de pôsteres de Nutrição Clínica.
A equipe afirma que o próximo passo é investigar efeitos de longo prazo da água com gás sobre a saúde bucal, incluindo outros fatores que ajudam a manter dentes e gengivas saudáveis.
Este texto é informativo e não substitui a orientação de um dentista ou de outro profissional de saúde.