A Alibaba apresentou nesta terça-feira (22) o Zhenwu V900, seu mais novo chip voltado para inteligência artificial, durante a conferência anual da Alibaba Cloud, realizada em Hangzhou, na China. O anúncio fez as ações da empresa dispararem mais de 5% no mesmo dia, atingindo a cotação mais alta em um mês, segundo a InfoMoney.
O novo processador, desenvolvido pela T-Head — unidade de semicondutores da Alibaba —, promete o triplo do desempenho do modelo anterior, o M890, lançado ainda neste ano. Segundo a CNBC, o chip pode ser interligado em clusters de até 500 mil unidades, e a produção em massa e o lançamento comercial estão previstos para o primeiro trimestre de 2027.
De acordo com o site especializado em semicondutores Wccftech, o Zhenwu V900 chega a oferecer mais memória embarcada do que o H200, da Nvidia — um dos processadores mais avançados da fabricante americana, hoje sob restrições de exportação para a China.
O lançamento ocorre em meio à disputa entre empresas chinesas de tecnologia por alternativas nacionais aos chips da Nvidia, à medida que os Estados Unidos mantêm e endurecem restrições à exportação de semicondutores avançados de ponta para o país, como registrou o jornal português Jornal Económico.
Além do hardware, a Alibaba aproveitou o evento para detalhar planos para sua inteligência artificial generativa. A empresa afirmou que pretende treinar um novo modelo com entre 5 trilhões e 10 trilhões de parâmetros — número muito superior aos 2,4 trilhões de parâmetros do atual modelo principal, o Qwen 3.8 Max, lançado em julho.
Quanto maior o número de parâmetros de um modelo, maior tende a ser sua capacidade de armazenar conhecimento e lidar com tarefas mais complexas, segundo especialistas do setor de inteligência artificial.
O CEO da Alibaba, Eddie Wu, disse durante a conferência que "os produtos verdadeiramente revolucionários da era da IA ainda não chegaram", comparando o momento atual ao início de uma revolução industrial, de acordo com a InfoMoney.
A companhia também anunciou planos de expansão de data centers, com a meta de ultrapassar 20 gigawatts de capacidade global até 2032 — um salto expressivo em relação à infraestrutura atual, à medida que a demanda por processamento de inteligência artificial cresce em ritmo acelerado no mundo todo.
O investimento ocorre em meio à disputa acirrada entre as gigantes chinesas de tecnologia — incluindo a ByteDance — e startups como DeepSeek e Moonshot AI, por espaço no mercado de inteligência artificial generativa dentro e fora da China.
Com o novo chip, a Alibaba se junta a rivais como Huawei na corrida por reduzir a dependência chinesa de processadores importados dos Estados Unidos, hoje um dos principais pontos de atrito na disputa tecnológica entre as duas maiores economias do mundo.