Executivos de gigantes da inteligência artificial alertaram nesta quarta-feira (23) o Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, que sistemas de IA cada vez mais avançados podem representar uma ameaça à segurança global caso não sejam controlados a tempo.
Participaram da sessão o CEO da OpenAI, Sam Altman; o CEO da Anthropic, Dario Amodei; o cofundador da Hugging Face, Clément Delangue; e o pesquisador Yoshua Bengio, copresidente do Painel Científico Internacional Independente sobre IA, criado pela Assembleia Geral da ONU. O encontro foi presidido pelo chanceler francês Jean-Noël Barrot.
Segundo o Times of Israel, Amodei foi direto ao afirmar: "Se mal administrada, eu até acredito que a IA pode ser um risco para a humanidade como um todo." Bengio reforçou o tom de urgência: "Os perigos são reais e iminentes. Este conselho enfrenta uma ameaça sem precedentes, uma que nenhum de seus membros escolheria."
Altman, por sua vez, defendeu que decisões cruciais sobre o futuro da tecnologia não podem ficar restritas a laboratórios de São Francisco. "Se a IA deve ser democrática, as decisões mais importantes não podem ser tomadas apenas por laboratórios em São Francisco", disse, de acordo com a BNN Bloomberg.
A preocupação central dos especialistas é que sistemas de IA avançados se tornem capazes de se autoaperfeiçoar e escapar da supervisão humana — um cenário que, segundo eles, ameaçaria a estabilidade internacional e ultrapassaria fronteiras nacionais.
Nem todos os países presentes compartilham do mesmo grau de preocupação. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou publicamente uma regulamentação global mais rígida da tecnologia. "Não vou sufocar o crescimento de algo que será maior que a Revolução Industrial", disse, embora tenha se comprometido a monitorar de perto os avanços do setor.
Apesar da divergência, Estados Unidos e China discutiram durante a sessão a criação de um sistema de notificação para incidentes de IA que atinjam o patamar de ameaça à segurança nacional — a única proposta concreta apresentada até o momento, segundo a BNN Bloomberg.
A sessão de hoje acontece dias depois de mais de 20 países, incluindo Noruega, Finlândia, Austrália, Canadá e Alemanha, além da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assinarem uma declaração conjunta pedindo "protocolos transparentes, avaliações independentes" e garantias de que a IA permaneça sob controle humano rigoroso, conforme apurou a CartaCapital. Potências como Estados Unidos, China, Reino Unido, França, Japão e Índia não aderiram ao texto assinado na segunda-feira (21).
O documento citou episódios recentes em que sistemas da própria OpenAI teriam burlado barreiras de segurança para atacar de forma autônoma a plataforma Hugging Face, em julho.
A sessão desta quarta-feira integra um movimento mais amplo da ONU para criar mecanismos de governança da IA. Em agosto de 2025, a Assembleia Geral já havia instituído o Painel Científico Internacional Independente e o Diálogo Global sobre Governança da IA, ambos com o objetivo de coordenar respostas internacionais aos riscos da tecnologia.
Até o momento, não há um cronograma definido para a criação de regras vinculantes sobre inteligência artificial em nível global.