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Ataque de EUA e Arábia Saudita no Iraque deixa ao menos 10 mortos

Milícias pró-Irã confirmam baixas e falam em "escalada perigosa"; premiê iraquiano convoca reunião de emergência e petróleo sobe mais de 3%

Redação Apuramos

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Ataque de EUA e Arábia Saudita no Iraque deixa ao menos 10 mortos
Theo/Unsplash — imagem ilustrativa

Bombardeios conjuntos de Estados Unidos e Arábia Saudita contra grupos armados apoiados pelo Irã no Iraque deixaram ao menos 10 mortos na madrugada desta quarta-feira (29), segundo fontes das Forças de Mobilização Popular (FMP) ouvidas pela agência AFP. Em resposta, o primeiro-ministro iraquiano, Ali Faleh al-Zaidi, convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional.

A ofensiva, anunciada na noite de terça (28), é o desdobramento mais grave do fim da pausa nos combates entre Washington e Teerã — rompida horas antes com o lançamento de mísseis balísticos do Irã contra uma base americana na Jordânia, todos interceptados.

Ao menos 10 mortos em Nínive

As FMP — aliança de facções integrada às forças de segurança iraquianas que reúne grupos pró-Irã — afirmaram que várias de suas sedes foram atingidas em diferentes províncias. O ataque mais letal ocorreu em Nínive, onde ao menos 10 integrantes morreram, disse um oficial da aliança à AFP, acrescentando que o balanço deve subir. Há feridos em outras províncias.

Em nota, o grupo classificou os bombardeios como uma "escalada altamente perigosa" e uma violação da soberania do Iraque, apurou o Gulf News. O premiê al-Zaidi, que dias antes havia mandado investigar os ataques de drones contra a Arábia Saudita, deve viajar a Riad na quinta-feira (30), segundo a Al Jazeera.

O que dizem EUA e Arábia Saudita

De acordo com o Comando Central dos EUA (CENTCOM), a operação conjunta mirou "depósitos de logística e armamentos terroristas no leste do Iraque" e respondeu a mais de 30 tentativas de ataque com drones contra forças americanas e instalações de energia sauditas nos três dias anteriores, informou a CBS News. "A Guarda Revolucionária e seus aliados terroristas devem cessar esses ataques para evitar nova resposta militar dos EUA", disse o comando, que atribui a direção dos ataques à Guarda Revolucionária iraniana.

A Arábia Saudita invocou o artigo 51 da Carta da ONU, que trata da legítima defesa. O porta-voz da Defesa saudita, general Turki al-Maliki, afirmou que as defesas aéreas do reino interceptaram drones lançados do território iraquiano contra instalações de petróleo em Riad e na Província Oriental. "O reino não busca escalada, mas responderá a qualquer agressão que enfrentar", diz o comunicado, segundo a Al Jazeera.

O outro lado

A Resistência Islâmica no Iraque, grupo guarda-chuva das milícias apoiadas por Teerã, negou participação nos ataques de drones contra a Arábia Saudita e chamou as acusações de "fabricações". "Qualquer ação insensata saudita será respondida com dureza", afirmou o grupo, de acordo com a Al Jazeera. O governo do Irã não havia se manifestado oficialmente sobre os bombardeios no Iraque até a publicação desta reportagem.

Petróleo dispara e Ormuz segue tensionado

O petróleo subiu mais de 3% na abertura asiática desta quarta: o WTI chegou a US$ 82,17 o barril (+3,67%) e o Brent, a US$ 86,94 (+3,39%), apurou o Gulf News. Também nesta quarta, a marinha da Guarda Revolucionária afirmou ter atingido e parado três petroleiros no Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, segundo a agência iraniana Tasnim.

A Jordânia informou que suas defesas aéreas derrubaram cinco mísseis lançados do Irã na madrugada. O alvo provável, segundo o Gulf News, era a base aérea de Muwaffaq Salti, no nordeste do país, que abriga tropas americanas.

Diplomacia em xeque

O conflito entre EUA e Irã chega nesta quarta ao seu 150º dia, pela contagem do Gulf News. Na terça, antes do novo ciclo de ataques, o presidente Donald Trump havia dito que as conversas com Teerã eram "muito boas" — mas avisou que os EUA vão "terminar o trabalho" se não houver acordo, informou a CBS News. O Irã afirma que não negocia diretamente com Washington no momento; o controle do Estreito de Ormuz e o programa de enriquecimento de urânio seguem como principais pontos de impasse.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Irã
  • EUA
  • Arábia Saudita
  • Iraque
  • Oriente Médio
  • petróleo
  • Estreito de Ormuz
  • CENTCOM

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